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Aluimentos como os da EN13 e A41 podem repetir-se por todo o país

Aluimentos como os da EN13 e A41 podem repetir-se por todo o país

Degradação de material usado nas tubagens na origem de colapsos como o registado na EN13.

O coordenador do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros da Região Norte acredita que possam existir novos colapsos semelhantes aos que ocorreram na semana passada Estrada Nacional 13, na Maia, e na A41, em Alfena, há quatro anos.

De acordo com Bento Aires, especialista em reabilitação urbana, em causa está a utilização de "armco", uma chapa metálica colocada há cerca de 20 ou 30 anos nas passagens hidráulicas por ser um "material de fácil execução para grandes diâmetros".

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Terá sido esse material, utilizado para entubar um curso de água aquando da construção da A41, que provocou também o abatimento do piso na EN13 há uma semana. No terreno decorrem os trabalhos de reparação, sendo que a tubagem será substituída por peças de betão armado reforçado com cerca de dois metros de diâmetro. A obra deverá estar concluída dentro de um mês e custar mais de 100 mil euros à Câmara da Maia. Caso idêntico registou-se em 2016, na A41, em Alfena, cuja reabilitação do pavimento demorou cerca de três meses, motivando protestos pelas portagens e pela demora no término da empreitada.

Para Bento Aires, sinalizar e inspecionar são as únicas formas de agir atempadamente para prevenir mais aluimentos. Só assim é possível detetar e reabilitar a conduta. Após o colapso, diz o especialista, resta "abrir, cortar a estrada e reconstruir a infraestrutura".

"Não é possível garantir que todas as passagens feitas com "armco" estejam em risco. Este material está a chegar a um ponto em que começa a comprometer a segurança. Se não houver identificação dos locais em que temos passagens com este material e não monitorizarmos é um fator de risco", explica o especialista, que diz desconhecer qual o plano de monitorização e inspeção das entidades responsáveis pelas estradas.

Segundo explicou a Infraestruturas de Portugal (IP) ao JN, apenas uma percentagem inferior a 2% das estradas tuteladas pelo organismo têm "armco", material que já não é utilizado "há 15 anos". Ainda de acordo com a IP, é assegurada "uma monitorização regular deste tipo de estruturas, através da realização de inspeções periódicas principais e de rotina, complementadas ainda por ações de fiscalização da rede".

Material em "desuso"

Segundo Bento Aires, o "armco" está em "desuso". "O passar do tempo veio dizer-nos que esta solução não é de todo adequada", refere o engenheiro civil, sublinhando, no entanto, que "uma solução que durou 20 a 30 anos já é durável". "Essas infraestruturas foram dimensionadas e preparadas com base em horizontes que eventualmente hoje já foram modificados com as alterações climáticas", acrescentou.

O excesso de trânsito também pode ajudar ao desgaste da via. "A Nacional 13 é uma estrada com demasiada solicitação, onde há muito tráfego de viaturas pesadas", frisou Bento Aires.

Alternativas à EN13

Com a Estrada Nacional 13 totalmente cortada na Maia, o trânsito no sentido Norte/Sul será desviado pela Rua da Ponte de Moreira até à ETAR da Ponte de Moreira. No sentido Sul/Norte, a alternativa é a A41.

Isenção

Os condutores que circulam pela A41 para contornar a cratera estão isentos de taxas. Os 15 cêntimos cobrados por cada passagem nos pórticos da A41 deverão ser assegurados pela Câmara da Maia.

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