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Alunos aliviados pelo regresso, mas assustados com os exames

Alunos aliviados pelo regresso, mas assustados com os exames

Os alunos do Secundário regressaram esta segunda-feira às aulas presenciais, depois de quatro meses em ensino à distancia. O sentimento é de "alívio pelo regresso", mas também de "preocupação" porque os exames de acesso ao Ensino Superior estão à porta.

Rafael Selores tem 17 anos e frequenta o 12.º ano do curso de Ciências e Tecnologias no agrupamento de escolas de São João da Pesqueira e já estava "cansado das aulas online". Regressar ao novo normal "foi um alívio", suspira.

"Em casa torna-se muito mais difícil focarmo-nos", o conforto "leva-nos a algum desleixo", confessa. Quanto às dúvidas, Rafael não tem muitas, mas mesmo assim está preocupado com os exames. Vai fazer o de Matemática e refazer o de Física e Química. "Agora tenho que rever tudo para me preparar", diz.

"A sensação é de felicidade, já tinha saudades de estar com os amigos e com os professores", atira Camila Rodrigues, 17 anos, da mesma turma de Rafael. A jovem conta que se adaptou bem às aulas à distância, mas sabe que "não é a mesma coisa". Ainda está indecisa quanto ao curso que quer seguir, mas interessa-se pela área da contabilidade, por isso, vai fazer os exames de Português e de Matemática. "Tenho que dar o litro", afirma.

Assustada com a aproximação dos exames está também Beatriz Benedito, 17 anos. Sentiu "mais dificuldade nas aulas online" e explica que "nas aulas à distância é dificílimo saber quando podemos interromper o professor, nas aulas presenciais basta levantarmos o braço". Beatriz vai fazer o exame de Matemática, refazer Biologia e confessa que não se sente preparada.

É isso que assusta a professora de Português, Lucília Matos, que tem a noção que os alunos não estão preparados. "Temos que nos esforçar muito mais agora para preparar os exames. No formato online, falta-nos a comunicação não verbal", lamenta. "Temos os alunos todos em ecrãs pequeninos, o esforço é duplo. Na sala de aula temos os alunos à nossa frente e conseguimos ler facilmente na expressão deles, o que está a passar", explica a docente.

Preparar para os exames

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Num balanço geral, os alunos tiram mais dúvidas nas aulas presenciais e a primeira aula deste regresso "correu muito bem". Para a professora, o método de ensino à distância é "um ensino de emergência". "É preciso correr atrás do prejuízo" diz. "A minha ansiedade é que temos os exames à porta e a noção de que os alunos não estão trabalhados para isso", afirma.

A diretora da escola, Agostinha Veiga, tinha tudo preparado para receber os 113 alunos do Secundário que regressaram ao estabelecimento de ensino, esta segunda-feira, juntando-se aos 635 dos restantes níveis de ensino. "Reajustaram-se horários para haver desfasamento nos intervalos, alocámos uma sala a cada turma, criámos percursos diferentes para os alunos do 2.º ciclo e os do secundário e o município reforçou os recursos humanos, que garantem a higienização dos espaços. Estou confiante que vai correr tudo bem", conclui.

Os alunos do Secundário serão testados ainda durante a tarde desta segunda-feira.

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