Educação

Alunos do 6.º ano são os que refletem maior impacto do ensino à distância

Alunos do 6.º ano são os que refletem maior impacto do ensino à distância

No diagnóstico feito pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) a alunos do 3.º, 6.º e 9.º anos, os do 2.º ciclo são sempre os que têm pior desempenho e os do 1.º melhor. O Governo assume o impacto negativo do ensino à distância nas aprendizagens e criou um grupo de trabalho para traçar um plano de recuperação.

As provas de diagnóstico avaliaram o desempenho dos alunos ao nível da literacia científica, Matemática e da Leitura e Informação. Foi definido como limiar a quantidade de respostas certas a pelo menos 67% das perguntas que tinham quatro níveis de complexidade, do mais elementar (1) ao mais difícil (4). Ao nível da literacia científica mais de metade dos alunos do 9.º (55,9%) e do 6.º (51,3%) não conseguiram atingir, por essa meta, no nível 1 (tarefas mais simples), enquanto no 3.º ano foram 37,7%; o mesmo a Matemática, 60,5% dos alunos mais velhos e 55,6% dos do 6.º não resolveram com sucesso dois terços das tarefas mais fáceis (no 3.º ano foram 38%). A literacia da Leitura e Informação, 47,1% dos alunos do 9.º, 41,9% do 6.º e 51,4% do 3.º responderam certo a 67% das perguntas. Esta foi a competência avaliada onde mais alunos responderam com sucesso os níveis mais complexos.

O melhor desempenho dos alunos do 3.º, com menor autonomia e ainda na fase de consolidação da leitura e escrita, revelou para o presidente do IAVE "maior resiliência" e evidenciou maior apoio dado em casa pelas famílias.

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O secretário de Estado Adjunto da Educação, João Costa, assumiu que o facto de mais de metade dos alunos não resolverem mais de dois terços das questões mais fáceis "não pode ser ignorado".

"O impacto será a médio e longo prazo. Foram dois anos letivos perturbados não podemos achar que está tudo igual", frisou numa sessão de apresentação dos resultados esta segunda-feira de manhã. O Governo anunciou criou um grupo de trabalho que durante o mês de abril irá avaliar as consequências na escola desta pandemia e aprovar recomendações de recuperação das aprendizagens. As propostas, no entanto, não serão vinculativas, frisou João Costa.

Entre os especialistas estão, por exemplo, Margarida Gaspar de Matos, coordenadora nacional do estudo da Organização Mundial de Saúde sobre comportamentos e saúde mental dos adolescentes (Health Behaviour in School Aged Children), a economista Susana Peralta da Universidade Nova (SBE) que há muito defende a reabertura das escolas e propôs as academias de verão como estratégia de recuperação das aprendizagens ou José Verdasca coordenador do Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar.

João Costa recusou avançar qualquer tipo de medida, limitando-se a defender que o plano de recuperação irá ter soluções curriculares, pedagógicas e organizacionais" ao nível das escolas.

Em junho, recorde-se, os alunos do 9.º não irão fazer os exames de Português e de Matemática mas uma amostra dos alunos do 2.º, 5.º e 8.º que tinham provas de aferição agendadas irão fazer esses testes de diagnóstico.

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