Secundário

Alunos do profissional perdem metade das aulas em regime presencial

Alunos do profissional perdem metade das aulas em regime presencial

Estabelecimentos e estudantes têm de cumprir planos de horas para receber financiamento e diplomas. Associação teme falhas na rede de transportes.

O desfasamento de horários, imposto no regresso às escolas a partir de segunda-feira para as turmas não se cruzarem, vai cortar para metade as aulas dos alunos dos cursos profissionais, que mantêm exatamente o mesmo horário à distância que tinham antes da pandemia. O problema, sublinha o presidente da Associação Nacional das Escolas Profissionais (ANESPO), é que assim nem alunos nem escolas cumprem a execução dos planos, o que pode resultar no corte de financiamento.

Os alunos também têm de cumprir um plano de horas - em média, cerca de 1100 horas por curso - que, se não for executado, pode resultar na não atribuição do diploma. A solução, se o regresso condicionado não for aceite para justificar a redução horária, é o prolongamento do calendário "por julho ou até agosto, se necessário", admite José Luís Presa.

A possibilidade de se combinar aulas à distância e presenciais não é exequível por causa da rede de transportes, garante. A ANESPO receia a resposta insuficiente dos transportes fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Sem adequação aos novos horários dos alunos, não será possível a coordenação dos dois regimes de aulas e os alunos terão de passar o dia inteiro nos estabelecimentos.

"O que acontece se só cinco em vez de 20 conseguirem transporte? Dá-se aulas a esses cinco e os restantes ficam sem nada ou é preferível, nessa situação, manter-se o regime à distância?", questiona. É certo que o Ministério da Educação (ME) aceita a justificação de faltas, mas assim os alunos não cumprem o plano de horas e podem não concluir os cursos, alerta José Luís Presa.

Regresso residual

Nas escolas públicas, ao contrário das privadas, os diretores e a coordenadora do ensino profissional da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Anabela Delgado, preveem um regresso residual de alunos, dado a maioria "já ter concluído os módulos", especialmente os do 3.º ano que estão a concluir estágios ou a preparar as Provas de Aptidão Profissional (PAP).

"As situações são muito diferentes de escola para escola", frisa Anabela Delgado. Por exemplo, no caso do Agrupamento de Canelas (Gaia), há salas, apesar do desdobramento de turmas, para os alunos treinarem para as PAP e estágios. No liceu Camões, em Lisboa, que está a ser alvo de obras, só regressarão os alunos com módulos por terminar.

O Ministério da Educação "estima que a generalidade dos alunos dos dois últimos anos possam frequentar as aulas". Os módulos concluídos não necessitam de ser presenciais, mas a preparação das PAP e a realização de formação em contexto de trabalho devem ser, sempre que possível.

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