Estragos

Alunos em Espanha: Azulejos partidos, colchões pela janela e TV na banheira

Alunos em Espanha: Azulejos partidos, colchões pela janela e TV na banheira

Mil estudantes portugueses tiveram de voltar mais cedo a casa, acusados de terem provocado estragos de "milhares" em hotel de Málaga

Cerca de mil estudantes portugueses em viagem de finalistas no Sul de Espanha foram expulsos de um hotel junto à praia de Benalmádena. O grupo, que contava com alunos de escolas secundárias de vários pontos do país, causou, segundo as autoridades espanholas, estragos avaliados em "milhares de euros".

Os estudantes, que só deveriam regressar hoje a Portugal, acabaram por ter de voltar ontem, acompanhados pelas polícias portuguesa e espanhola - que têm um protocolo de colaboração nesta altura do ano devido ao elevado número de jovens que rumam a Espanha. A PSP confirmou, ontem à tarde, estar a seguir a viagem de regresso, organizada em duas fases, e acrescentou que os jovens foram "expulsos" por terem causado "desacatos" motivados pelo consumo exagerado de álcool.

Fontes da Polícia Nacional citadas pelo jornal "El País" garantem que o grupo destruiu azulejos e paredes do Hotel Pueblo Camino Real, situado junto à praia de Benalmádena, na zona de Málaga. Os finalistas terão atirado colchões pelas janelas e esvaziado extintores, além de ter sido encontrada uma televisão dentro de uma banheira. O dono da unidade hoteleira, que ontem não quis falar ao JN, prometeu uma conferência de Imprensa para esta segunda-feira, mas confessou nunca ter assistido "a nada igual". As autoridades espanholas vão abrir um inquérito para apurar responsabilidades.

Agência nega desacatos

A agência de viagens que organizou a ida dos estudantes nega, no entanto, que tenha havido desacatos e desmente a ordem de expulsão. "Os finalistas saíram no dia em que deviam ter saído, quando completaram as seis noites de hotel", disse ao JN o gerente da "Slide in Travel". Nuno Dias admite que o diretor da unidade hoteleira "manifestou desagrado algumas vezes" em relação ao comportamento dos jovens portugueses, queixando-se de "barulho", mas porque nunca tinha recebido viagens de finalistas antes.

"Os proprietários desconheciam o ambiente que se cria nestas viagens", argumenta o responsável, acrescentando que o que se passou - que classifica de "pequenos danos" - são "situações normais" entre finalistas. "Se o diretor do hotel não estava preparado para receber estas viagens nem para o barulho das festas de finalistas não devia ter aceitado acomodar este tipo de clientes", diz.

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Segundo a "Slide in Travel", 500 estudantes fizeram o check-out do hotel anteontem à noite e outros 500 saíram ontem pelas 11 horas - "a hora programada" desde o início. Este segundo grupo passou o dia num parque de diversões em Málaga e esteve numa festa "de final de tarde", tendo regressado a Portugal ao fim do dia.

Alunos confirmam estragos

Ao que o JN apurou, no entanto, junto de alunos que estiveram alojados no Hotel Pueblo Camino Real, o segundo grupo foi forçado a sair antes do tempo. "Tiveram de sair antes, por ordem do hotel, às 12 horas espanholas [de ontem]", conta João Leite, finalista da Escola Secundária de Lousada que viajou para Espanha com 16 colegas e que fez o check-out com o primeiro grupo de estudantes.

Outro aluno da mesma escola, Luís Magalhães, conta que se apercebeu que "houve problemas" quando estavam a deixar o hotel. "O gerente apareceu bastante exaltado e chamou a Polícia. Vieram cinco ou seis agentes porque supostamente teria havido estragos". Pedro confirma que existiram danos, mas garante que "a maior parte dos estudantes" que estavam alojados no hotel não se envolveram em problemas. "É injusto julgarem os estudantes portugueses por um todo. Por alguns terem atitudes desprezíveis não significa que todos sejamos desrespeitosos", queixa-se.

Ontem, vários finalistas queixavam-se do serviço que encontraram na unidade hoteleira na página de Facebook do Hotel Pueblo Camino Real. "Que se f*** a caução", escreveu um deles. Nuno Dias, da agência de viagens, confirma que os finalistas pagaram uma caução de 50 euros aquando da reserva. Um montante que, assegura, "dá e sobra para os danos provocados".

O secretário de Estado da Comunidades, José Luís Carneiro, explicou, ao início da noite, que a empresa que organizou a viagem "tinha seguro", mas que o hotel considera não ser "suficiente para cobrir" os danos sofridos.

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