Regresso

Alunos que faltarem a aulas podem ficar sem apoio online

Alunos que faltarem a aulas podem ficar sem apoio online

Diretores alertam que há estudantes, especialmente no interior, que terão de ficar o dia inteiro nas escolas por falta de transportes e que há secundárias sem salas suficientes para dividir turmas.

Os alunos dos 11.º e 12.º anos que optem por não regressar às aulas presenciais, a partir do dia 18, terão as faltas justificadas pelos pais, mas as escolas não são obrigadas a manter-lhes o ensino à distância, preveem as orientações enviadas às escolas pelo Ministério da Educação (ME). O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, sublinha que "as famílias terão de saber avaliar as consequências das suas opções".

Em contagem decrescente para o regresso, diretores e Confap assumem ter conhecimento de uma percentagem "considerável" de encarregados de educação que ponderam não deixar os filhos retomar as aulas presenciais. As escolas até podem continuar a manter as aulas online a esses alunos, mas dependerá da sua capacidade de resposta, nomeadamente da disponibilidade de professores por causa do desdobramento de turmas. A exceção prevista nas orientações do ME são os alunos que pertençam a grupos de risco. Nesses casos, o agrupamento "deve facilitar o apoio remoto, à semelhança do que acontece em todos os casos de doença prolongada".

As orientações não surpreenderam os diretores mas persistem "dúvidas", sublinha Manuel Pereira, presidente da Associação de Dirigentes (ANDE). Por exemplo, o que fazer aos alunos que tenham de ficar na escola das 10 às 17 horas por só terem um autocarro de manhã e outro ao final do dia. "É assim no interior do país para a maioria" e isso não é compatível com o desfasamento de horários para se evitar concentração de alunos, alerta.

Outra dúvida é as distâncias de segurança, que as orientações não especificam. "Em secundárias com várias centenas de alunos, pode não haver salas suficientes para o desdobramento das turmas", alerta.

O presidente da Associação Nacional de Diretores (ANDAEP) defende que só devem voltar os alunos que vão fazer exames e nas disciplinas a que fazem prova e não a todas. Filinto Lima terá enviado, ontem à tarde, um ofício ao ministro a pedir essa redução de alunos. Essencial, garante, para cumprir as orientações.

Escassez de docentes

Os diretores, assegura, estão "neste momento a fazer as contas" para perceberem se terão de contratar mais professores. Há docentes que são grupo de risco e não irão voltar às escolas, o que somado ao desdobramento das turmas pode aumentar as contratações. O problema, insiste Filinto Lima e o líder da Federação Nacional de Educação (FNE), é que no 3.º período não é fácil conseguir-se substituições. "Já não há muitos disponíveis", frisa Manuel Pereira.

"Há grupos de recrutamento com poucos candidatos e contratos por dois meses não são fáceis de preencher, especialmente nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, onde há maior carência de docentes", admite João Dias da Silva.

O défice de funcionários também preocupa. "São tão idosos como os docentes" e também há assistentes operacionais em grupos de risco, frisa Dias da Silva. Com os alunos do Básico em casa até final do ano letivo, os agrupamentos podem deslocar funcionários para reforçar as secundárias. Mas, a partir de 1 de junho, com o possível regresso do Pré-Escolar, esses assistentes terão de regressar às escolas de 1.º Ciclo. "O problema maior são as secundárias não agrupadas", alerta Filinto Lima.

Menos 50% de aulas

As escolas podem reduzir a carga letiva dos alunos até 50% se não tiverem espaço ou docentes para o desdobramento de turmas, garantindo o distanciamento social.

Bares fechados

Serviços não essenciais à atividade letiva como bares, bufetes, salas de apoio ou de convívio vão manter-se fechados.

Bibliotecas a um terço

Acesso a bibliotecas e salas de informática reduzido a um terço da lotação máxima.

Sem Educação Física

Os alunos que regressam não voltarão a ter aulas de Educação Física ou de Educação Moral e Religiosa até final do ano.

Máscaras e circuitos

O uso de máscaras será obrigatório para alunos, professores e funcionários durante o trajeto para as escolas e no seu interior. Ministro da Educação garantiu que esse equipamento será distribuído pelos agrupamentos. Haverá circuitos no chão a marcar os acessos às salas, refeitório ou casas de banho.

Sem recreio

Sempre que possível, as turmas devem ter aulas em salas distanciadas. Os intervalos devem ter menor duração e os alunos permanecer nas salas.

Almoços desfasados

As turmas devem almoçar a horas diferentes. Talheres e guardanapos devem estar dentro de embalagens e a fruta ou salada em recipientes fechados. As mesas devem ser limpas após cada utilização.

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