Ambiente

Ambientalistas desiludidos: COP25 "está a trair as pessoas"

Ambientalistas desiludidos: COP25 "está a trair as pessoas"

"À espera e desiludido". É assim que Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, descreve o seu estado de espírito enquanto aguarda, em Madrid, por um texto final da COP25. Por agora, um dia depois do prazo inicial previsto, continua a não haver consenso e as reuniões prosseguem.

"Sabia-se que o dossier do mercado global de carbono [acordo que permitiria que os países que emitam menos CO2 vendam créditos aos maiores emissores] era complicado, mas todas as outras áreas assumia-se que iriam ser mais facilmente consensualizadas. Mas, depois, percebemos que não", lamenta Francisco Ferreira, em declarações ao JN este sábado à tarde.

O presidente da Zero aponta o dedo principalmente ao Brasil e aos EUA, mas também a países como a Austrália, a Rússia ou o Japão e, ainda, a vários estados produtores de petróleo. Todos eles formam um conjunto de países que, segundo o ativista, não estão dispostos a fazer os esforços necessários em prol do clima, acabando por "impedir as decisões".

"Esta conferência está a trair as pessoas. Não nos dá expectativas de avanço no combate às alterações climáticas", diz Francisco Ferreira. Assim sendo, "há duas hipóteses: ou teremos decisões muito fracas, e será uma desilusão; ou não teremos decisões e estaremos a fazer um favor" aos países que "não querem avançar com políticas mais ambiciosas".

Metas eram pouco ambiciosas, mas nem assim

Para o líder da Zero, a redução da emissão de gases com efeito de estufa, a discussão sobre a viabilidade de um mercado de carbono ou a prevenção de catástrofes climáticas ­- particularmente nos países mais vulneráveis, como aqueles que são formados por pequenas ilhas - eram os pontos mais importantes em cima da mesa.

Segundo o ativista, as exigências tinham "o mínimo denominador comum", para serem mais facilmente aceites por todos os países, mas nem assim o consenso surgiu. Assegurando que este sábado já "não vai haver entendimento de certeza", Francisco Ferreira acrescenta que, mesmo no caso de o acordo chegar, não será caso para grandes celebrações.

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"Há dois divórcios [a envolver a COP25]: um entre os países aqui reunidos e o outro entre as decisões que aqui se querem tomar e aquilo que a sociedade civil tem pedido em todo o mundo", conclui, aludindo às várias manifestações que tiveram lugar nos últimos meses.

A COP25, cimeira climática organizada pelas Nações Unidas, decorre desde o passado dia 2 em Madrid. Devia ter terminado esta sexta-feira, mas os países continuam reunidos a tentar chegar a um texto final que satisfaça todas as partes.

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