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Amnistia Internacional promove "Maratona de Cartas" em defesa de ativistas em perigo

Amnistia Internacional promove "Maratona de Cartas" em defesa de ativistas em perigo

"Assinem uma carta, salvem uma vida" é o apelo da campanha "Maratona de Cartas" da Amnistia Internacional para trazer justiça a defensores de direitos humanos que enfrentam perseguição, tortura ou prisão injusta. É o maior evento de ativismo mundial e decorre entre este mês e janeiro do próximo ano.

Todos são convidados a participar na campanha "Maratona de Cartas" da Amnistia Internacional (AI) assinando petições e enviando mensagens de solidariedade ("cartas") com o objetivo de trazer justiça a pessoas em risco em vários países que, por defenderem os direitos humanos, enfrentam tortura, perseguição ou prisão injusta.

Para o arranque da vigésima edição desta "Maratona de Cartas", a Amnistia Internacional Portugal projetou nas paredes de Lisboa as imagens de cinco pessoas cujos direitos humanos foram abusados e que as autoridades de diversos países querem esconder: Bernardo Caal Xol, Janna Jihad, Zhang Zhan , Ciham Ali e Mikita Zalatarou (ver caso a caso na galeria abaixo).

"Quisemos, com esta ação simbólica, colocar holofotes nos casos que estes países têm tentado esconder, projetando-os para que sejam vistos e recordados, pois são representativos da forma como as autoridades continuam a desrespeitar os direitos humanos - quer destes defensores de direitos humanos e pessoas em risco, quer de milhares de outras pessoas que se encontram em situações similares", declarou Paulo Fontes, diretor de comunicação e campanhas da Amnistia Internacional Portugal.

O projeto inclui formas de envolvimento diferenciadas, como eventos em escolas por todo o país e ações de rua.

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Na edição do ano passado foram reunidas 128 mil assinaturas em Portugal e mais de 4,5 milhões em todo o mundo.

Casos de sucesso

O projeto conta já com diversas vitórias, como o caso de Moses Akatugba que esteve no corredor da morte, na Nigéria, por ter roubado telemóveis - crime que não cometeu. Este caso contou com cerca de 800 mil ações por parte da Amnistia.

Na Bielorrússia, Ales Bialiatski, um ativo defensor de direitos humanos, foi liberto de um campo de trabalho em 2014. Em 2012, recebeu 40 mil cartas de apoiantes da Amnistia.

No Uzbequistão, o jornalista Muhammad Bekzhanov passou 17 anos na prisão. Sendo um dos jornalistas presos durante mais tempo, foi libertado em 2017 graças à "Maratona de Cartas 2015" e à campanha Stop Tortura.

No Azerbaijão, o ativista Jabbar Savalan foi libertado em 2011 após cartas dos apoiantes terem chegado ao país. O jovem tinha sido preso por acusações falsas de tráfico de droga após ter incentivado protestos pacíficos contra o governo.

No Cambodja, a ativista pelo direito à habitação, Yorm Bopha, foi libertada em novembro de 2013. A ativista liderou protestos pelos direitos da sua comunidade e foi presa. Devido ao apoio da Amnistia Internacional, ela pôde voltar a casa.

O maior evento de ativismo mundial

A "Maratona de Cartas" começou na Polónia em 2001 quando um conjunto de ativistas se reuniu para escrever cartas de modo a ajudar pessoas desprovidas dos seus direitos. Vinte anos mais tarde, esta iniciativa tornou-se na maior campanha da Amnistia Internacional.

A Amnistia Internacional é um movimento mundial de mais de 10 milhões de pessoas que atuam na promoção dos direitos humanos, com presença em mais de 150 países e territórios. Em Portugal, a organização está presente desde 1981, promovendo ações de ativismo, educação, sensibilização e mobilização para que o pleno usufruto dos direitos humanos seja uma realidade universal para todas as pessoas.

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