Estudo

17% da população da Europa em elevado risco de escassez de água até 2050

Leonardo Pereira

Os resultados da seca nos rios europeus são visíveis, com quatro dos mais importantes (Danúbio, Pó, Reno, na foto, e Vístula)

Foto Yann Schreiber / Afp

Um estudo da World Wildlife Fund (WWF) revela que 17% da população da Europa encontra-se em elevado risco de escassez de água até 2050, devido à seca. O PIB europeu poderá ser afetado em 13%. De momento, quatro rios importantes registaram níveis mínimos recorde, colocando em perigo vários negócios.

Segundo com uma nova análise do cenário climático da Water Risk Filter da WWF, o continente europeu tende cada vez mais a enfrentar situações de seca e de escassez de água, o que pode resultar nestes números no futuro.

De acordo com os dados da investigação, Portugal encontra-se em maior risco de escassez de água, relativamente à média europeia. O coordenador de Água da Associação Natureza Portugal (ANP), Rúben Rocha, admite que a utilização da água para fins agrícolas, em Portugal, é superior à media europeia, e alerta ainda para a mudança de medidas: "Em Portugal, este cenário é agravado com a diferença na distribuição e consumo de água de Norte a Sul do país, que exige uma grande capacidade de adaptação na adoção de medidas necessárias para que o consumo de água seja feito de forma sustentável. Sabemos que a agricultura é responsável por cerca de 75% do consumo de água em Portugal, valor muito superior à média europeia (aproximadamente 25%) e maior do que a média mundial (70%), devido a práticas agrícolas insustentáveis", denota o coordenador da ANP.

Para além de 17% da população se encontrar em risco de escassez de água, também a economia europeia pode ser prejudicada, com um risco de quebra de 13% no PIB europeu. As consequências da seca nos rios podem causar riscos nas empresas: "Todas as empresas e investidores devem avaliar os seus riscos atuais e futuros no domínio da água e responder coletivamente para construir negócios mais resilientes - reduzindo os riscos para as suas operações e ativos, bem como para as comunidades em todo o continente", admite o coordenador da WWF, Alexis Morgan.

Rios pouco saudáveis

Neste momento, os resultados da seca nos rios europeus são visíveis, com quatro dos mais importantes (Danúbio, Pó, Reno e Vístula) a enfrentarem recordes nos níveis mínimos. O baixo nível dos rios pode ameaçar vários negócios, como a agricultura e indústria, devido à falta de abastecimento. Os rios são essenciais para a adaptação da sociedade aos impactos das alterações climáticas, mas 60% dos rios estão pouco saudáveis, lê-se em comunicado.

Alexis Morgan alerta para a urgência de medidas para aumentar a resiliência da sociedade: "Precisamos de uma ação urgente para mitigar os riscos da água, particularmente investindo em soluções baseadas na natureza para melhorar a saúde dos rios, lagos e zonas húmidas da Europa", alerta o coordenador.

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