PGR

Aberto inquérito a José Ornelas por alegado encobrimento de abusos sexuais

Maria Anabela Silva

D. José Ornelas

Foto Nuno Brites / Global Imagens

Bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Ornelas está a ser alvo de uma investigação por suspeitas de "comparticipação em encobrimento" de casos de abusos sexuais.

A notícia é avançada pelo jornal "Público" que dá conta que o caso aconteceu há mais de dez anos, em Moçambique, quando José Ornelas era alto representante dos dehonianos, congregação à qual pertencia o padre que dirigia o orfanato onde os alegados abusos terão ocorrido.

Em declarações àquele diário, D. José Ornelas diz que cumpriu "com toda a sinceridade com os procedimentos adequados". O gabinete do bispo de Leiria-Fátima estará a preparar uma nota de esclarecimento sobre o assunto.

Segundo o "Público", o caso remonta a 2011, quando José Ornelas liderava a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Nessa altura, um professor português ouviu de um aluno que frequentava o Centro Polivalente Leão Dehon o relato de alegados abusos cometidos sobre crianças no orfanato dirigido pelo padre Luciano Cominotti.

Na esperança de que José Ornelas, então líder mundial desta congregação, tomasse medidas, o docente deu-lhe conhecimento do caso. "O resultado foram duas cartas a agradecer os alertas, dizendo que o padre Cominotti não estava sob a sua autoridade, mas da diocese, e que contra o padre Ilario Verri (diretor da escola) não existiam quaisquer indícios", escreve o Público.

Já este ano, o mesmo docente enviou uma denúncia, agora visando José Ornelas por inação. Segundo aquele jornal, a queixa foi enviada diretamente a Marcelo Rebelo de Sousa, que a remeteu à Procuradoria-Geral da República,

"Não tenho conhecimento formal dessa denúncia. Não sinto que tenha existido negligência da minha parte", respondeu o bispo ao "Público", assegurando que cumpriu "com toda a sinceridade com os procedimentos adequados".

O presidente da CEP esclarece que, perante as denúncias que recebeu naquela época, determinou a abertura de "um inquérito interno" do qual não existe registo por ter sido uma inquirição informal. Segundo explicou ao Público, a investigação consistiu em indagar "professores e alunos para apurar da possibilidade de existência de qualquer abuso".

O bispo garante que, "se tivesse surgido qualquer dúvida, uma que fosse, da possibilidade de abusos, não teria dúvidas de que teria dado instruções para que tal fosse participado às autoridades competentes".

A denúncia que chegou ao DIAP e a que Público teve acesso, é referido que o atual presidente da CEP "omitiu das autoridades o abuso de vários menores enquanto presidente da Ordem dos Dehonianos".

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