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Costa lembra que já teve maioria absoluta em Lisboa e correu bem

João Vasconcelos e Sousa

Foto Homem De Gouveia/epa

O líder do PS voltou a apelar à maioria absoluta, desta vez para lembrar que já a teve quando era autarca em Lisboa e que, ainda assim, nunca deixou de "procurar consensos". No entanto, o tom adotado por António Costa no comício de Faro não foi de consenso, mas de desafio e críticas tanto à Esquerda como à Direita.

"Que não haja papões", afirmou Costa, aludindo à maioria absoluta desejada pelos socialistas. E recorreu ao seu exemplo pessoal para mostrar que sabe o que fazer se, agora enquanto chefe do Governo, voltar a ter uma: "Já tive seis anos maioria absoluta na Câmara de Lisboa. E não foi pelo facto de a ter tido que deixei de dialogar e de procurar consensos com todos"", atirou, perante uma sala cheia.

O secretário-geral do PS deu o exemplo do que fez com o Plano Diretor Municipal (PDM), o mecanismo "mais importante que um município pode aprovar": "Tinha maioria na Câmara e na Assembleia Municipal e podia tê-lo aprovado sozinho, mas não o fiz. Fiz questão de negociar com todos um PDM que obteve o maior consenso possível de todas as forças políticas", recordou, arrancando aplausos.

Esquerda "quis cortar-nos as pernas"

Mas os tempos são de demarcação das diferenças entre partidos e, como tal, Costa apontou a mira ao PSD e ao líder Rui Rio: "O que ele quer verdadeiramente é que a classe média passe a pagar os cuidados de saúde no SNS. Lembrando que os sociais-democratas querem mudar a Constituição, e alegando que Rio quer pôr fim a um SNS "tendencialmente gratuito", atirou: "Fazem essa mudança para quê, se for para continuar tudo na mesma?".

Mas também houve tempo para alertar para os perigos de uma Esquerda que "quis logo ao início cortar-nos as pernas" nas negociações do OE: "Não venham com desculpas de que afinal queriam negociar. Estivemos vários meses a negociar e chumbaram o OE logo na generalidade", frisou.

No Algarve, círculo pelo qual o PS quer manter os cinco deputados conquistados em 2019, Costa voltou a comprometer-se em subir o salário mínimo para 900 euros em 2026. Esta quinta-feira, a caravana socialista passa por Évora e Santarém. No Ribatejo, haverá novo comício.