Guimarães

Costa: "Não aceito lições de Catarina Martins"

João Vasconcelos Sousa

Foto André Rolo/global Imagens

O líder do PS reagiu às acusações da líder do BE, que tinha afirmado no sábado que os socialistas eram o único partido que recusa dialogar. "Não aceito lições da Catarina Martins", respondeu António Costa, em Guimarães. No entanto, poucos minutos mais tarde, em Vizela, falou da importância de "não agravar conflitos".

"Em 2020, quando não havia ainda um único português vacinado e a pandemia estava mesmo no pico, o BE, em vez de se manter junto ao PS e ao PCP, rompeu e ficou sozinho a votar com a Direita. Portanto, não aceito lições da Catarina Martins", afirmou Costa, recebendo aplausos dos apoiantes.

"Eu percebo que partidos que já em 2020 quiseram romper com a unidade da Esquerda precisem agora de arranjar um bode expiatório. Mas a única coisa que o BE tem a fazer é pedir desculpa por ter rompido com a unidade da Esquerda", acrescentou.

O secretário-geral socialista descreveu ainda o seu partido como "o único que dialoga com todos". Este sábado, em entrevista ao Expresso, Catarina Martins tinha afirmado que o PS "é o único que não dá sinais" de querer construir pontes.

"Quem está à frente da família deve saber dialogar e unir"

Mas, minutos depois da farpa lançada à coordenadora bloquista, Costa rumou a Vizela, localidade próxima da cidade-berço. Aí, falou da reconciliação com o autarca local Vítor Hugo Salgado, socialista que se tornou independente e que, recentemente, voltou a vencer a autarquia já reconciliado com o PS. Embora Costa discursasse para os vizelenses, as palavras que usou podem ter uma leitura nacional.

"O que é necessário é que quem está à frente da família saiba dialogar, estender a mão, voltar a convidar, unir e não agravar os conflitos", considerou António Costa. Momentos antes tinha aludido, também sem especificar, à necessidade de voltar a encontrar "maçanetas nas portas fechadas".

Se, em Guimarães, tinha sido mais duro com o BE, em Vizela o líder do PS voltou ao seu registo normal dos últimos dias, apontando ao PSD: "Este não é o momento para escolher quem multiplica conflitos e vive da confrontação até com a própria sombra", atirou, aludindo às recentes disputas internas entre os sociais-democratas, das quais Rui Rio saiu vencedor.

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