Matemática

"Dou os parabéns aos professores que fizeram este exame"

Ana Peixoto Fernandes

Foto João Manuel Ribeiro/global Imagens

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) destaca a redução do número de perguntas opcionais no exame da disciplina deste ano como um ponto positivo, que permite corrigir eventuais injustiças entre alunos que se candidatam ao ensino superior.

Numa primeira análise à prova realizada esta quinta-feira, o presidente da SPM, João Araújo, disse que a evolução a esse nível, entre os exames de 2020, 2021 e o deste ano, era necessária. Considerou que o exame "não foi difícil" e indicou como ponto menos positivo, o facto de ter "alguns problemas muito palavrosos [excesso de texto]".

Numa avaliação geral solicitada pelo Jornal de Notícias, resumiu: "Eu não vou dar uma nota, mas dou os parabéns aos professores que fizeram o exame. Muito poucas pessoas em Portugal os conhecem e eu não sei quem são, mas dou-lhes os parabéns, porque fazer um exame nacional é um exercício muito, muito difícil. Só quem passa por lá é que sabe a complexidade daquilo".

Em relação ao número de questões opcionais, João Araújo recorda que estas baixaram de 14, em que contavam as oito melhores em 2020, para sete perguntas, das quais contavam as quatro melhores em 2021. Este ano, voltou a baixar para apenas cinco perguntas, em que as três melhores pontuam. "Era uma coisa que era preciso fazer e foi feito. E ainda bem que estão a corrigir, porque ia sempre criar injustiças", comentou. "O sistema em 2020 permitia notas muito altas. Nesse ano, a nota mais frequente a Matemática foi 19. Criava um grande desequilíbrio entre os alunos de anos diferentes que se estavam a candidatar ao ensino superior. Os de 2020 tiveram uma grande vantagem em relação aos de 2021", referiu. Defendeu que "o que era bom é que os exames tivessem um grau de dificuldade constantes ao longo dos anos para se poder comparar o efeito das políticas, mas como variam muito, perde-se a régua".

Quanto aos "problemas palavrosos" apontados ao exame de Matemática de hoje, o presidente da SPM explica que, "em algumas perguntas, o enunciado é muito longo". Considerou, contudo, que esse é um aspeto "defensável". "Percebe-se que é para tentar aproximar com aquilo que se encontra no mundo real. Imagine-se que em Português pedem para identificar o verbo na última frase, faz sentido escrever um texto de meia página? Talvez faça, porque no mundo real os testes não são só uma frase", comentou.

Por seu turno, Joaquim Pinto, da Associação de Professores de Matemática, declarou que "das opiniões que foram recolhidas até ao momento, temos as considerar este exame relativamente mais fácil que o do ano passado". Indicou que este apresentou, no entanto, "uma questão mais difícil, que envolve mais raciocínio e que consideramos seletiva, para distinguir os alunos de 19 e 20. Foi colocada no fim exatamente para isso". Acrescentou, de resto, que a prova "está de acordo com as aprendizagens essenciais e com os que se esperava. Engloba todas as aprendizagens, desde o 10.º ano até ao 12.º". E que "está bem distribuída e resolve-se bem no tempo que é adequado".