Investigação

Símbolo da Tesla nos envelopes suspeitos enviados à embaixada da Ucrânia em Lisboa

JN/Agências

Envelopes suspeitos enviados à embaixada da Ucrânia em Lisboa|

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Envelopes suspeitos enviados à embaixada da Ucrânia em Lisboa|

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Envelopes suspeitos enviados à embaixada da Ucrânia em Lisboa|

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Trânsito cortado na Avenida das Descobertas, onde se localizam diversas embaixadas|

 foto D. R.

A PSP não encontrou qualquer engenho explosivo nos dois envelopes suspeitos que chegaram, esta segunda-feira à tarde, à embaixada da Ucrânia em Lisboa.

O JN apurou que um dos dois envelopes, de cor azul, tinha uma etiqueta com o símbolo da Tesla, empresa fabricante de automóveis elétricos fundada por Elon Musk. O outro envelope não apresentava remetente.

"Não foram detetados explosivos" na avaliação feita pelo Centro de Inativação de Engenhos Explosivos e Segurança em Subsolo da Unidade Especial de Polícia, indicou fonte da PSP.

A embaixada da Ucrânia em Lisboa recebeu, pelas 15 horas, dois envelopes suspeitos, tendo chamado a PSP, a qual enviou para o local meios da Unidade Especial de Polícia. O trânsito na Avenida das Descobertas, onde se encontram várias embaixadas, foi cortado e no local foi estabelecido um perímetro de segurança.

Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP disse à agência lusa que o trânsito foi reaberto cerca das 20 horas, estando no local "o policiamento normal".

A embaixada da Ucrânia em Lisboa confirmou à Lusa que chamou a PSP depois de ter identificado "correspondência suspeita". As "características suspeitas" da correspondência, que o atual protocolo de segurança da embaixada determina que não podiam ser aceites, tinham que ver com "o formato e o remetente", adiantou a fonte da Embaixada.

"O pessoal viu imediatamente que [a correspondência] era suspeita, alertou a polícia e o carteiro acabou por ficar retido" nas instalações da missão diplomática, onde ainda se encontram agentes policiais "em grande número", disse a mesma fonte.

Explosão em Espanha obrigou a reforçar segurança noutros postos diplomáticos

Na sexta-feira, gabinete do secretário-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), Paulo Vizeu Pinheiro, anunciou à Lusa que as autoridades portuguesas reforçaram a proteção da embaixada da Ucrânia em Lisboa e admitem reapreciar o nível de ameaça em Portugal, após cartas armadilhadas terem sido recebidas por entidades em Espanha.

Segundo o SSI, a Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT), que funciona no quadro do Sistema de Segurança Interna, "está a acompanhar atentamente a situação" e que se encontra em "estreita articulação com os seus parceiros espanhóis, europeus e internacionais".

"Caso, fruto dessa cooperação com Espanha e parceiros internacionais, e da nossa análise interna, se justifique uma reapreciação do grau de ameaça e segurança, serão tomadas de imediato pelas autoridades competentes as correspondentes e adequadas medidas de alerta e dispositivo de segurança", acrescentou o gabinete do secretário-geral do SSI.

A UCAT agrega o Serviço de Informações de Segurança (SIS) - que avalia o grau de ameaça em território nacional -, a Polícia Judiciária (PJ) - que tem a competência de investigação do terrorismo --, a PSP -- que faz a proteção das instalações diplomáticas e "preventivamente reforçou a proteção da Embaixada da Ucrânia em Lisboa" -, a GNR, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), a Polícia Marítima e o Serviço de Informações Estratégicas e de Defesa (SIED).

O SSI assegurou ainda que todas estas entidades estão "a trabalhar de forma articulada e permanente" com os parceiros internacionais, em especial com os congéneres espanhóis do SIS e da PJ.

A 30 de novembro, um homem ficou ferido sem gravidade na embaixada da Ucrânia em Madrid devido à explosão de um artefacto que estava dentro de um envelope. Desde então, já foi revelada pelas autoridades espanholas a existência de mais cinco cartas com explosivos, a última das quais na embaixada do Estados Unidos em solo espanhol.

De acordo com o secretário de Estado da Segurança do Governo espanhol, Rafael Pérez, os outros envelopes com explosivos intercetados na última semana foram enviados para o primeiro-ministro, a ministra da Defesa, um centro de satélites e uma empresa de armamento.

O envelope enviado ao primeiro-ministro, Pedro Sánchez, foi intercetado.

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