Estudo

Estudo sobre o vício da raspadinha vai mesmo avançar

Enzo Santos

"A raspadinha representa mais de 50% da receita de Jogo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa", escreve o CES em comunicado

Foto Miguel Pereira/global Imagens

O estudo pedido pelo Conselho Económico e Social (CES) para avaliar o índice de adição dos portugueses ao jogo da raspadinha vai mesmo avançar. Os objetivos e metodologias do estudo "Quem paga a raspadinha", que será conduzido por Pedro Morgado e Luís Aguiar-Conraria, investigadores da Universidade do Minho, serão apresentados esta quarta-feira, nas instalações do CES, na presença das quatro entidades financiadoras.

Pedro Morgado, médico psiquiatra do Hospital de Braga e investigador e professor na Escola de Medicina da Universidade do Minho, será um dos responsáveis do estudo. Em declarações anteriores ao JN, em abril de 2021, alertou para os elevados números de adição dos portugueses para o jogo, em particular a raspadinha, e os perigos associados. Luís Aguiar-Conraria, economista e professor catedrático da Universidade do Minho, será o outro responsável pelo estudo, também levantou dúvidas sobre a intenção do Governo em lançar um novo jogo destinado a financiar o setor cultural (a raspadinha do património), dizendo que isso seria uma forma de "pôr os pobres a financiar o património cultural".

Num comunicado enviado esta terça-feira às redações, o CES alerta que "além do impacto na saúde dos apostadores, acrescem ainda os indícios de uma maior prevalência junto das classes mais desfavorecidas e das camadas mais frágeis da sociedade, o que levou a que este tipo de jogo chegasse a ser apelidado de imposto regressivo".

O CES lembra ainda que, em 2018, os portugueses gastaram cerca de 1,6 mil milhões de euros em raspadinhas - o que dá uma média de 160 euros por pessoa ao ano -, valor muito superior aos 14 euros por pessoa registados na vizinha Espanha, onde se gasta 600 milhões ao todo.

"Portugal é o país da Europa com maior gasto per capita em raspadinhas", diz o CES, estando acima do dobro da média europeia, e é um número que tem vindo a aumentar. Só em 2019, a receita com as raspadinhas cresceu 7,8% em relação ao ano anterior, totalizando mais de 1,7 mil milhões de euros.

O protocolo de cooperação do estudo vai ser assinado esta quarta-feira, nas instalações do CES, e contará com a participação dos dois investigadores responsáveis, que farão a abertura e apresentação de objetivos, e das entidades financiadoras: Apifarma, Fundação Mestre Casais, Fundação Manuel António da Mota e Fundação Social Bancária. O encerramento da apresentação caberá a Francisco Assis, presidente do CES.

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