Campanha

"Falaremos sempre primeiro com parceiros de Esquerda", diz Matos Fernandes

João Vasconcelos e Sousa

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente

Foto MÁrio Cruz/lusa

O ministro do Ambiente admitiu esta quarta-feira, ao JN, que o Governo dará prioridade às negociações com os "parceiros de Esquerda" após as eleições. "É natural que assim seja", afirmou João Matos Fernandes. Já Manuel Pizarro, presidente da distrital do PS do Porto, vincou a necessidade de o partido estabelecer diálogos "à Esquerda e à Direita".

"Prefiro um Governo onde o PS tenha um grande resultado eleitoral, porque essa é a melhor garantia de estabilidade", afirmou o governante, durante a arruada socialista no Porto.

No entanto, Matos Fernandes deixou pistas caso o partido vença mas falhe a maioria absoluta - um objetivo que, de resto, António Costa já deixou cair: Nessa situação, "naturalmente que aqueles com quem falaremos sempre em primeiro lugar serão os nossos parceiros à Esquerda, nos quais incluo o Livre e o PAN", esclareceu.

Esta foi uma das raras situações ao longo da campanha em que uma personalidade do PS admitiu ter preferência por uma das soluções que estarão em cima da mesa em caso de vitória com maioria relativa. Costa, por exemplo, tem apelado ao "diálogo com todos os partidos" desde que, no fim de semana, deixou de apontar ao objetivo da maioria absoluta. Contudo, apesar das sucessivas críticas ao PSD, nunca excluiu aproximar-se do partido de Rui Rio com vista a garantir a governabilidade.

No entender de Matos Fernandes, não existe contradição entre Costa ter começado por pedir uma maioria absoluta aos portugueses e ter, entretanto, passado a centrar o discurso no diálogo. "É óbvio que o PS quer ter o melhor resultado possível", frisou o ministro. "Agora, se há prova que o PS e António Costa têm dado é essa grande capacidade de diálogo".

Para sustentar essa tese, Matos Fernandes aludiu à longevidade da geringonça, criada em 2015 e extinta em outubro passado. "Nunca nenhuma coligação de Direita durou seis anos em Portugal. Portanto, se há líder partidário que tem uma grande capacidade de diálogo e de construir pontes é António Costa, pelo que é muito normal que ele as anuncie", rematou.

Pizarro: "Temos de ser capazes de falar à Esquerda e à Direita"

Já Manuel Pizarro, eurodeputado e presidente da distrital do PS do Porto, garante que o seu partido é o mais bem preparado para garantir a governabilidade: "Se precisarmos de fazer algum entendimento para apoio parlamentar, somos os únicos em condições de dizer duas coisas: primeiro, que podemos falar com todos os partidos; segundo, que com o Chega não negociaremos, coisa que o nosso principal adversário não é capaz de dizer", afirmou, referindo-se ao PSD.

Pizarro confia num PS reforçado a partir de domingo. "Mas seremos capazes de falar à Esquerda e à Direita, como fizemos sempre ao longo da nossa história. É por isso que somos o partido-charneira da democracia portuguesa, e talvez por isso tenhamos tanto apoio popular. As pessoas sabem que é connosco que se arranjam as boas soluções para o progresso", considerou.

O dirigente socialista não encontra qualquer "contradição" entre o PS pedir maioria absoluta - como Costa fez até ao fim-de-semana - e abrir-se ao diálogo. "Quem tem de decidir como o país vai ser governado é o povo português, com o seu voto. O PS governará com estabilidade nas condições que o povo português lhe der".