Estudo

Felicidade dos jovens depende mais do aspeto físico do que do emprego

O aspeto físico preocupa mais os jovens portugueses do que as dificuldades com a entrada no mercado laboral

Foto Gonçalo Delgado/global Imagens

Estudo que traça um retrato amplo dos jovens portugueses revela que 25% dos que trabalham recebem um salário abaixo de 600 euros. Mais de metade vota em todos os atos eleitorais.

A satisfação com o próprio corpo é o fator que mais contribui para a felicidade ou infelicidade dos jovens portugueses. Esta é uma das principais conclusões do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que mostra "quem são, o que pensam e o que sentem" os jovens em Portugal. O retrato "Os jovens em Portugal, hoje" inquiriu 4900 jovens, entre os 15 e os 34 anos, e vai ser apresentado este fim de semana na conferência "Juventudes", em Lisboa. Do total dos inquiridos, 52% das mulheres e 50% dos homens estão "pouco satisfeitos com o seu aspeto físico.

"É preocupante e revela a pressão que os jovens sentem, não exatamente para ter um corpo com saúde, mas para ter corpo semelhante aos que encontram nas redes sociais e que não são reais", disse ao JN Laura Sagnier, coordenadora do estudo. As redes sociais são usadas por 97% dos jovens: 49% das mulheres têm entre 501 e mil "amigos" nas redes. Nos homens, apenas 38% tem mais de 500 contactos. "Os contactos dos jovens são quase todos nas redes sociais e os modelos de perfeição imitados por eles são baseados em interfaces" do Facebook, do Instagram e do Youtube, afirmou Laura Sagnier.

Baixos salários

A independência económica é o passo indicado pelos inquiridos para a passagem para a idade adulta. Metade dos jovens que participaram no estudo tem trabalho e 86% trabalha por conta de outrem. Quase 50% dos que têm emprego, têm contrato sem termo. Contudo, 25% dos jovens trabalhadores recebem um salário abaixo de 600 euros. "As dificuldades com a entrada no mercado laboral, a situação profissional e os salários baixos preocupam menos os jovens do que o aspeto físico", revelou a coordenadora de um estudo que, apesar de englobar 4900 entrevistados, representa quase 2,2 milhões de jovens.

O inquérito permitiu dividir os jovens portugueses em dez categorias onde predominam os "adolescentes em conforto", que representam 14% dos inquiridos, entre os 15 e os 19 anos, que vivem sem dificuldades; os "casais em conforto", compostos por 14% dos jovens entre os 30 e os 34 anos, que têm trabalho remunerado e filhos e vivem sem grandes problemas; e os "casais à tona", pessoas que também representam 14% dos inquiridos, que finalizaram o ensino básico, têm filhos e vivem com dificuldades, sobretudo, económicas.

O estudo referenciou ainda os "adolescentes sob pressão", jovens inseguros e que se sentem discriminados (9%); os "jovens em conforto" que estão a estudar mestrado ou doutoramento e representam 12% dos inquiridos entre os 20 e os 24 anos.

Nove por cento dos que responderam ao inquérito são "jovens em vulnerabilidade", maiores de idade, mas que não se sentem preparados para a vida adulta, e 4% são mesmo tidos como "jovens à margem", com sérias dificuldades em lidar com a vida que têm. Os "jovens adultos em conforto", são 9% dos interrogados, concluíram o ensino superior e têm uma vida confortável.

Em sentido contrário estão os "jovens à tona", (11%), homens e mulheres entre os 25 e os 29 anos, com alguns rendimentos, mas com uma economia precária. As "mães e pais em vulnerabilidade" representam 4% dos jovens, são pais mas não se sentem preparados para a vida adulta.

Mulheres valorizam conciliação Na definição de "emprego ideal", o requisito de "poder conciliar bem o trabalho e a vida pessoal" é muito mais valorizado pelas mulheres.

Mais estudos, mais dinheiro Um nível de escolaridade mais elevado garante uma melhor posição de partida no emprego, salário e vínculos contratuais.

Pressão no feminino As mulheres sentem mais pressão social no estudo e sucesso laboral, na necessidade de não desiludir os pais ou a família e em ser fisicamente atraentes.

53% - Mais de metade dos jovens diz que vota em todos os atos eleitorais, sem nunca ter faltado. Em sentido contrário, 14% dizem que nunca votaram.

34% - Número de jovens que já se sentiram discriminadas pelo facto de serem mulheres.

85% - É a percentagem dos jovens que já tiveram relações sexuais. 35% dizem que usam sempre preservativos.