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Foca resgatada no Algarve morre por ingestão de lixo humano

Enzo Santos

Selkie, a foca resgatada numa praia algarvia, morreu, este sábado, por ter demasiado lixo humano no seu organismo. Resgatada a 12 de Dezembro do ano passado por uma equipa de especialistas do Zoomarine, foi submetida a cinco semanas de tratamentos e remoção do lixo, mas não resistiu.

Segundo um comunicado do Zoomarine divulgado este domingo, a foca não resistiu aos ferimentos e à degradação física em que se encontrava.

Selkie afastou-se daquela que deveria ser a sua rota. Andou "mais de um ano e meio" à deriva e "passou por vários países". Durante o seu desnorte, ingeriu quantidades avultadas de lixo humano. "Do estômago da Selkie foi removido tudo o que nunca lá deveria ter entrado: lixo humano", pode ler-se no comunicado enviado às redações. A foca "afastou-se milhares de quilómetros do seu habitat natural e foi sofrendo e acumulando vários ferimentos".

Operada a 13 de janeiro

Durante cinco semanas, cerca de 20 especialistas investiram horas e energia para tentar salvar a foca, mas "Selkie não resistiu à continua degradação da sua condição clínica e faleceu no pós-operatório".

"A foca cinzenta foi resgatada a 12 de dezembro, numa praia algarvia, e permaneceu 30 dias em reabilitação, para estabilização, antes de ser submetida a um procedimento clínico, liderado pelo Dr. José Sampayo [Espanha], no passado dia 13 de janeiro, com vista à remoção de um anzol, objectos de plástico, e restos de artes-de-pesca (fios de nilon e pedaços de redes) que se haviam acumulado no trato gastro-intestinal", pode ler-se no comunicado.

Como Selkie muito mais focas e animais marinhos padecem do mesmo sofrimento e problema que a equipa de especialistas presenciou. O lixo humano, que permanece em quantidades elevadas nos oceanos, "todos os dias é ingerido por espécimes incautos, como a Selkie".

No mundo selvagem, "quando ingeridos, estes objetos tendem a impor uma morte lenta, dolorosa, ingrata, injusta... desumana". "Para a Selkie, foi tarde demais... Não chegámos a tempo", lamenta a equipa de especialistas através do comunicado.