Decisão

Governo ainda não sabe o custo de uma pista e dois aeroportos

Erika Nunes

Localização do futuro aeroporto de Alcochete, onde as bacias sedimentares do Tejo e do Sado são refúgio de milhões de aves.

Foto César Santos

Decisão de avançar com obras em Lisboa, construir pista complementar no Montijo e avançar para futura infraestrutura em Alcochete vai "poupar centenas de milhões de euros por ano".

O ministro das Infraestruturas admitiu, em declarações à RTP, que o governo ainda vai "fazer o trabalho do cálculo dos custos" da solução anunciada esta quarta-feira para a congestão do aeroporto da capital.

A ANA - Aeroportos de Portugal "é quem vai pagar o aeroporto", clarificou Pedro Nuno Santos. Será então a concessionária Vinci a assumir, desde já, no Aeroporto Humberto Delgado, os custos das obras de "melhoria da operacionalidade da infraestrutura, de modo a aumentar a qualidade da experiência dos passageiros, a redução dos atrasos na operação e o incremento do desempenho ambiental do aeroporto", bem como os da construção de uma infraestrutura "de transição" no Montijo, que beneficiará da existência de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA).

"Só será necessário adaptar o projeto de execução à DIA e, depois, submetê-la de novo à Agência Portuguesa do Ambiente", resumiu o ministro, estimando que a obra possa arrancar já em 2023.

A objeção levantada, no passado, pelos presidentes das autarquias do Seixal e da Moita, que permitiu vetar o projeto, será agora contornada com uma alteração da lei. "Não faz sentido que uma infraestrutura com esta importância possa ser vetada por um presidente de Câmara", considerou Pedro Nuno Santos, confiante de que a maioria parlamentar do PS aprovará a nova lei.

Quanto a Alcochete, o ministro das Infraestruturas admitiu que "vai ser preciso começar do zero", uma vez que já caducaram as avaliações efetuadas no passado e os custos do projeto terão de ser atualizados. Mais uma vez, será a ANA a realizar o investimento, mediante indicadores de saturação, quer em Lisboa, quer no Montijo, cujo valor ainda será negociado, e que obrigarão a avançar para o futuro aeroporto em Alcochete e, nessa altura, encerrar Humberto Delgado e Montijo.

"Não vamos ter três aeroportos em Lisboa", clarificou o ministro. "Alcochete oferece uma solução estrutural e de grande prazo, mas demora muito tempo a concretizar - 10 a 13 anos - e não podemos esperar tanto tempo porque estamos a perder milhares de milhões de euros. O Montijo oferece uma solução de curto prazo - uma pista que complementa Lisboa, que já tem DIA e que pode avançar rapidamente", resumiu.

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