Covid-19

Há 0,1 reações adversas por cada mil vacinas dadas às crianças

Carla Sofia Luz

Foram administradas 300 908 primeiras doses a menores entre os cinco e os 11 anos

Foto Manuel Fernando Araujo / Lusa / Arquivo

O Infarmed, que está a investigar a morte de um menino de seis anos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, garante que o número de reações adversas em crianças após a vacinação contra a covid-19 é diminuto em Portugal: cerca de 0,1 por cada mil inoculações.

A diretora de Farmacovigilância da Autoridade Nacional do Medicamento, Márcia Silva, garante que, até ao momento com 300 908 primeiras doses administradas a menores entre os cinco e os 11 anos, foram reportadas apenas 0,1 reações adversas por mil inoculações. Uma incidência muito reduzida, sendo ainda menor os casos em que se registam sintomas com alguma gravidade: há 0,03 reações adversas graves por mil administrações e, ainda, 0,07 de reações não graves por cada mil vacinados.

"Até ao momento, a maioria das reações adversas tem sido não graves. Uma reação grave não implica morte ou alteração do estado de saúde. Uma simples falta à escola pode ser considerada uma reação adversa grave", explica Márcia Silva, esta terça-feira e em declarações à CNN. "A avaliação de benefício-risco e as notificações" de reações adversas na vacinação das crianças em Portugal "têm estado de acordo com o perfil de segurança das vacinas e mantém-se em monitorização constante" pelo Infarmed e pela Agência Europeia do Medicamento.

Como noticiou o JN, o Infarmed está a investigar a morte do menino de seis anos, o Rodrigo, no Hospital de Santa Maria (Lisboa), ocorrida no passado domingo. A criança deu entrada no sábado, naquela unidade, com um "quadro de paragem cardiorrespiratória". O menor testou positivo à covid-19 e tinha tomado a primeira dose da vacina há uma semana. No entanto, as causas da morte permanecem desconhecidas.

Márcia Silva confirmou que o hospital remeteu, na segunda-feira, para o Infarmed uma "notificação de suspeita de reação adversa" à vacina contra a covid-19, especificando que "há diversos tipos de reações. Algumas são imediatas, que ocorrem logo após a administração do medicamento, e há reações adversas tardias".

Face à suspeita, "iniciámos os contactos com o notificador assim que recebemos a notificação", concretiza. Neste momento, a Autoridade Nacional do Medicamento está a "recolher todos os dados adicionais o mais rapidamente possível" em colaboração com a unidade regional de farmacovigilância. Um dos aspetos a avaliar é o tempo que decorreu entre a administração da vacina e eventual reação para estabelecer ou não uma causalidade. O menino de seis anos tinha tomado a vacina há uma semana, indica ainda.

A diretora de Farmacovigilância do Infarmed deu conta, ainda, de que já foi solicitado o historial clínico do doente, informação sobre a "medicação cocomitante" e, neste caso específico, a equipa multidisciplinar que analisa o processo contará, também, com o resultado da autópsia.

Recolhidos todos os dados e feita a avaliação, é transmitida a informação à Agência Europeia do Medicamento.

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