Educação

João Costa: o homem "que conhece todos os agrupamentos do país"

Alexandra Inácio

João Costa sobe de secretário de Estado adjunto da Educação a ministra

Foto André Rolo / Global Imagens

João Costa sobe de secretário de Estado adjunto da Educação a ministro. Mentor do programa de flexibilização curricular que está a revolucionar o ensino há seis anos, os diretores garantem desconhecer agrupamento onde ainda não tenha ido.

O presidente da associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) garante que as escolas nunca tiveram um secretário de Estado "tão próximo". "Inexcedível. Não deve haver escolas onde não tenha estado nos últimos seis anos. Conhece os agrupamentos como ninguém", assegura. Manuel Pereira elogia, aliás, toda a proximidade de toda a anterior equipa governativa, alargando o elogio a Tiago Brandão Rodrigues e Inês Ramires. João Costa, insiste, "conhece as necessidades das escolas e dos professores também".

"A escolha não é novidade mas a continuidade das políticas sim. Na Educação estamos habituados a ruturas com um novo governo e a perspetiva de continuidade é otimista", frisa o presidente da associação de diretores. O maior desafio de João Costa, sublinha Filinto Ramos Lima, é o de conseguir responder à escassez de professores. Mas para isso, diz, "vai precisar da colaboração do novo ministro das Finanças".

"Conhece a casa, os problemas. Mas é preciso ambição política e recursos. Se o ministério continuar limitado pelas Finanças pouco poderá fazer quanto a respostas e políticas de futuro para o setor", defende João Dias da Silva. O líder da Federação Nacional da Educação espera que João Costa inicie "um novo ciclo de diálogo".

O problema da falta de professores que se agravou nos últimos anos é apontado, de forma consensual, como o mais urgente que João Costa terá de resolver. A revisão do regime de recrutamento, a valorização da carreira, a precariedade e um regime específico de aposentação para os professores são outros dossiês apontados como urgentes. O imediato, aponta Mário Nogueira, será a transferência de competências para as autarquias até 31 de março com muitos autarcas a contestar o prazo. O reforço do investimento é essencial, acrescenta o líder da Federação Nacional de Professores.

"Ele conhece os problemas, os diagnósticos e até as propostas. A nossa preocupação é que, não tendo tido a maior responsabilidade pelo bloqueio negocial imposto nos últimos anos, a verdade é que também fazia parte da equipa, Esperemos que o novo ministro tenha vontade e até autonomia para negociar, conversar e encontrar soluções em conjunto", acrescenta Nogueira..

Mentor da flexibilização e da Educação Inclusiva

A flexibilização tem permitido às escolas reforçarem a sua autonomia na gestão do currículo, têm sido criadas novas disciplinas, novas organizações, como o funcionamento em semestres e novas metodologias de avaliação de que também é defensor, tal como das provas de aferição nos 2.º, 5.º e 8.º anos em diversas disciplinas de forma rotativa. Foi também o mentor do diploma de Educação Inclusiva. Não gosta de "rankings" por não traduzirem a avaliação ao real trabalho feito pelas escolas. E defende um novo modelo de recrutamento de professores. Será um dos diplomas que terá de negociar na próxima legislatura. Tal como aprovar medidas para a falta de docentes que se agravou nos últimos anos.

Na primeira legislatura de António Costa, foi secretário de Estado da Educação passando a secretário de Estado Ajunto e da Educação na segunda legislatura.

Nasceu em 1972 em Setúbal. É Professor Catedrático de Linguística na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo sido também diretor da FCSH antes de ingressar no Governo. É ainda escuteiro há 30 anos e desde 2011 chefe do CNE de Setúbal.

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