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Mais de metade dos estafetas a trabalhar em Portugal tem outro emprego

Guilherme Lopes

Foto Igor Martins / Global Imagens

Um estudo do ISCTE revela que nove em cada dez estafetas das plataformas digitais que trabalham em Portugal são homens, na maioria estrangeiros. 49% dos inquiridos gostam de trabalhar com estas plataformas devido à flexibilidade laboral e 52% afirma ter outro emprego a tempo inteiro ou parcial. A maioria vê com maus olhos a regulamentação do setor, por temerem vir a perder flexibilidade.

O estudo do ISCTE Executive Education explica que o estudo teve como objetivo fazer uma caracterização independente e isenta do trabalho dos estafetas que fazem entregas através das plataformas digitais a operar em Portugal.

De acordo com o estudo, a maioria dos estafetas empregados nas plataformas Glovo, Uber Eats e Bolt Foods (as três inquiridas) são maioritariamente jovens, com idades compreendidas entre os 26 e os 44 anos (compreendendo dois terços da amostra) e nove em cada dez do sexo masculino. Mais de metade são oriundos de países extracomunitários (53%) e os restantes têm nacionalidade portuguesa (45%).

As principais conclusões do estudo foram que nove em cada dez estafetas afirmam ter melhorado as suas condições de vida, com 40% a admitir que o principal motivo de interesse para começar a colaborar com as plataformas é a flexibilidade horária.

Os inquiridos também valorizam a flexibilidade laboral que possuem ao colaborarem com estas plataformas (49%). Metade vê nestas plataformas uma fonte de rendimento adicional, dado que a maioria tem outros trabalhos a tempo inteiro ou parcial (52%) e muitos admitem que as plataformas são uma alternativa melhor ao seu anterior trabalho ou um complemento ao seu trabalho atual (47%).

Valorizam ser freelancers

A esmagadora maioria dos estafetas inquiridos no estudo do ISCTE pretende continuar a trabalhar como freelancer (90%) e mais de metade apontam "potencialmente negativo o incremento da regulamentação no setor" (54%).

"Os estafetas indicam a perda de flexibilidade e rendimentos mais baixos, características que identificam como os principais benefícios do trabalho através de plataforma, como os principais efeitos negativos de uma potencial regulação", afirma o ISCTE. Os principais benefícios e proteções adicionais indicados pelos estafetas seriam a maior proteção laboral (e.g. cobertura de seguro para doença), seguida da maior previsibilidade de rendimentos.

O inquérito apresentado pelo ISCTE Executive Education foi constituído por 18 perguntas e disponibilizado em formato digital, em versão portuguesa e inglesa, entre 21 de dezembro de 2021 e 3 de janeiro de 2022. Recolheram um total de 2 467 respostas: 1 913 responderam ao inquérito em português e 554 à versão inglesa, tendo sido normalizadas (em língua portuguesa) e tratadas em conjunto.

Intitulado "O impacto social e laboral das plataformas digitais de entregas em Portugal", o estudo foi segmentado em três categorias: a caracterização demográfica dos estafetas a operar em Portugal; a situação laboral e social dos mesmos; e as suas perceções e expectativas regulamentares e de benefícios laborais.