Astronomia

Mais próximo e brilhante: Júpiter vai reluzir no céu noturno de segunda-feira

Daniela Jogo

Júpiter é onze vezes maior do que a Terra

Foto Afp

Para os amantes das estrelas, a próxima segunda-feira é um dia a marcar na agenda. Júpiter estará mais próximo da Terra e em oposição ao Sol, por isso parecerá maior e mais brilhante do que em qualquer outra altura do ano. Aproximação beneficia missões espaciais para explorar o maior planeta do Sistema Solar.

A Terra e Júpiter não orbitam o Sol em círculos perfeitos, o que significa que os planetas passam um pelo outro a distâncias diferentes. Este ano, o maior planeta do Sistema Solar vai passar "apenas" a 591 milhões de quilómetros da Terra, o mais próximo que esteve do nosso planeta em 59 anos.

Não fosse isto um "acontecimento" por si só, ao mesmo tempo que se aproxima, Júpiter vai ficar em oposição ao Sol, parecendo maior e mais brilhante do que em qualquer outra altura do ano. "A oposição acontece quando um objeto astronómico se levanta a leste e quando o Sol se põe a oeste, colocando o planeta e o Sol em lados opostos", explica a NASA em comunicado. A oposição de Júpiter ocorre a cada 13 meses.

Em simultâneo estes dois eventos são raros, o que significa que quem olhar para o céu na segunda-feira, dia do expoente máximo do fenómeno da oposição, terá uma visão única do planeta gasoso. "O diâmetro angular de Júpiter, o tamanho que tem no céu, será um bocadinho maior, o que faz com que algumas observações com telescópio sejam facilitadas. Mas também com binóculos de alguma potência e tripé pode conseguir ver-se Júpiter como uma pequena bola no céu e ainda quatro pontinhos brilhantes, que serão as luas galileanas", disse José Silva, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. As luas galileanas são as maiores do planeta e foram descobertas por Galileu Galilei, em 1610.

Com um telescópio de pequeno porte, oito polegadas e 20 centímetros de diâmetro do tubo, é possível "ver em boas condições o disco de Júpiter e ainda algum contraste nesta bola, que são as bandas e os cinturões da atmosfera de Júpiter".

Quando a noite chegar e Júpiter atingir o ponto mais alto no céu, depois da passagem pelo meridiano de Lugar, "haverá menos atmosfera entre a Terra e o objeto, ou seja o planeta ficará mais nítido e haverá menos turbulência provocada pela atmosfera". A melhor hora para observar Júpiter na segunda-feira será a partir das 22 horas.

Aproximação é favorável a missões espaciais

Os cientistas acreditam que o estudo de Júpiter pode levar a descobertas impressionantes sobre a formação do sistema solar. Em 2023, a Agência Espacial europeia vai lançar a sonda Jupiter Icy Moons Explorer (Juice) para explorar a atmosfera e as três grandes luas de Júpiter e as mais distantes - Ganimedes, Calisto e Europa. Deverá chegar ao destino oito anos depois, em 2031.

"É mais fácil lançar uma missão para Júpiter devido a esta aproximação do que se tivéssemos noutro ponto da nossa órbita. Por isso é que se escolheu, há já alguns anos, uma altura próxima desta para se enviar a sonda, quando o jogo de órbita está o mais favorável possível", confessou o investigador. A missão vai investigar as condições que podem ter levado ao surgimento de ambientes habitáveis entre os satélites gelados (luas) e ainda a atmosfera e magnetosfera de Júpiter, bem como a sua interação com estes satélites.

Também a NASA está a trabalhar num grande projeto para explorar Júpiter: Europa Clipper. Esta nave espacial vai explorar a lua Europa, que é conhecida pela sua concha gelada e pelo oceano subterrâneo debaixo da camada superficial de gelo. Os cientistas da NASA pretendem descobrir se Europa tem condições capazes de sustentar a vida. O lançamento está agendado para outubro de 2024.

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