Operação

Marinha impede trasfega de crude ao largo da Madeira

Luís Pedro Carvalho

Atuação em alto-mar da Marinha para evitar a trasfega

Foto Marinha

A Marinha impediu, no domingo, que dois navios realizassem uma trasfega de crude, dentro da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa, a cerca de 370 quilómetros do arquipélago da Madeira. Há registo de trasfegas semelhantes, ao largo de Portugal, entre embarcações com petróleo russo e navios chineses.

A operação da Marinha teve início com a deteção de uma movimentação suspeita dentro da ZEE nacional, tendo sido enviado para o local o NRP Mondego, que interpelou os navios "Cristal Rose" e "Natalina 7", ambos de pavilhão do Panamá, "sendo o proprietário das ilhas Marshall e da China, respetivamente", revela um comunicado.

"Os navios encontravam-se sem seguimento, perto do limite noroeste da Zona Económica Exclusiva da Madeira. Estes navios aparentavam um padrão de navegação que indiciava preparativos para a prática de abastecimento no mar e trasfega de crude entre navios", explica o texto divulgado esta segunda-feira.

O navio "Cristal Rose" assumiu que se encontrava a aguardar instruções para realizar a atividade de trasfega de crude, "tendo-lhe sido comunicado que Portugal, ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, não autoriza a realização de atividades de reabastecimento na Zona Económica Exclusiva nacional, pois acarretam um risco potencial para a ocorrência de poluição no mar". Após a comunicação, o navio anunciou que se iria afastar da ZEE e deslocar-se para Gibraltar, "tendo a Marinha mantido o acompanhamento deste movimento para assegurar o cumprimento das normas estabelecidas".

O "Natalina 7", que se encontrava a cerca de 50 milhas do primeiro, foi igualmente intercetado pelo NRP Mondego, tendo-lhe sido comunicado igualmente as regras estabelecidas dentro da ZEE nacional. O navio após ter sido avisado saiu das águas de jurisdição portuguesas, mantendo um rumo oeste, encontrando-se atualmente fora da ZEE na Madeira.

Segundo notícias recentes da agência Bloomberg e do jornal especializado Lloyd's List, têm-se registado várias trasfegas em alto mar, entre navios que transportam crude de origem russa e navios chineses, de forma a contornar as sanções económicas, após a invasão da Ucrânia. Muitas destas trocas, arriscadas para o ambiente, têm sido realizadas ao largo de Portugal, mas fora da Zona Económica Exclusiva Nacional. Dez dos 13 navios até agora envolvidos na operação descrita pelo Lloyd's List foram comprados por um "misterioso" comprador chinês, entre maio e junho, especificamente para ser utilizado para transferências de crude russo no mar, tendo em conta as movimentação realizadas até ao momento.

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