Fim de campanha

O PS é "o único capaz de dialogar com todos", diz Costa

João Vasconcelos e Sousa

António Costa

Foto Epa/miguel A. Lopes

António Costa encerrou a campanha eleitoral, no Porto, a defender que o voto no PS é "certo e seguro" porque este é o único partido "em condições de dialogar com todos". O socialista voltou a acusar o PSD de ter deixado cair as "linhas vermelhas" que tinha com o Chega e piscou o olho à geringonça, embora advertindo que saberá sempre "dizer não" quando entender ser necessário.

"O voto no PS é o único voto certo e seguro porque, pela centralidade política que o PS tem, é o único partido que está em condições de dialogar com todos e de estabelecer as pontes necessárias", afirmou o líder do PS, no Pavilhão Rosa Mota.

Em jeito de antecipação da solução de governabilidade que poderá estar para vir caso a Esquerda consiga a maioria dos mandatos de deputado, Costa recordou as potencialidades e limites da geringonça: "É a solidez dos nossos valores que nos permite estabelecer pontes mas, também, sabermos dizer 'não' quando se chega ao ponto de dizer 'não'", alertou.

Admitindo sentir "muito orgulho" por ter recorrido a essa solução em 2015, o secretário-geral socialista até disse que gostaria de ter prosseguido a caminhar lado a lado com BE, PCP e PEV "se todos quisessem ter continuado a caminhar". No entanto, deixou novo recado: "Há um momento em que é preciso dizer 'não': quando querem dar um passo maior do que a perna", atirou.

Apontando a mira ao PSD e à relação do partido de Rui Rio com o Chega, Costa considerou que esta ida às urnas será "decisiva": "São umas eleições que definem se, pela primeira vez, vamos ter um governo dependente da extrema-direita ou se vamos ter um Governo exclusivamente dependente de forças democráticas", frisou.

O líder do PS não poupou esforços para procurar demonstrar os riscos de o país embarcar numa solução de governabilidade que inclua o Chega. "Que ninguém seja ingénuo: tal como não há almoços grátis, também não há viabilizações grátis", afirmou, aludindo a uma eventual dependência do partido de Rio face ao de André Ventura.

António Costa garantiu ainda sair da campanha e do Porto "revigorado" e pronto a retomar o trabalho "na próxima segunda-feira": "Aqueles que achavam que eu estava cansado devem ter-se convencido de que, a cada dia, me davam mais energia", afirmou, aludindo a um comentário recente de Rio.

O PS encerrou a campanha no Pavilhão Rosa Mota, perante mais de mil pessoas. Antes do secretário-geral socialista discursaram Manuel Pizarro, líder do PS/Porto, Alexandre Quintanilha, cabeça-de-lista pelo distrito, e ainda Francisco Assis, antigo líder parlamentar socialista e atual presidente do Conselho Económico e Social.