Saúde

Pizarro condena agressão "cobarde" a médica obstetra em Lisboa

Guilherme Gonçalves e Inês Banha

Manuel Pizarro, ministro da Saúde

Foto Carlos Pimentel / Global Imagens

O ministro da Saúde diz-se "solidário" com os profissionais de saúde e condenou de forma "inequívoca" a agressão à médica obstetra no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, que ocorreu na passada segunda-feira. "Parece-me ser especialmente incompreensível alguém agredir pessoas que estão a tentar ajuda e salvar vidas", afirmou aos jornalistas, esta quarta-feira, em Lisboa.

Relativamente ao plano contra a violência nos hospitais e espaços de saúde, Manuel Pizarro avançou que este tem já demonstrado resultados positivos, mas admite que o sistema de porta aberta que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem leve a que "algumas pessoas de forma irresponsável e cobarde aproveitem estas circunstâncias para agredirem os nossos profissionais".

"Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir a segurança dos profissionais e para garantir a punição dos responsáveis", concluiu.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) denunciou, na terça-feira, que uma médica foi agredida na urgência do Hospital de São Francisco Xavier, lamentando que o plano de prevenção da violência na saúde continue "na gaveta".

A obstetra, que cumpria uma prestação de serviços, foi agredida na tarde de segunda-feira e no dia seguinte "não estava em condições psicológicas para ir trabalhar", adiantou esta quarta-feira, ao JN, a secretária regional do SIM, Maria João Tiago.

A médica tem agora seis meses para apresentar queixa às autoridades. "Face à não proteção de quem nos tutela, também não me espanta que haja um certo desânimo [e não o faça]", acrescentou a dirigente sindical.

Plano "na gaveta" e por divulgar

Maria João Tiago tinha já lamentado, à Lusa, que o Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde, apresentado em janeiro deste ano, na prática "continue na gaveta, porque não há instruções e nunca foi divulgado".

"É lamentável que quem nos tutela não nos proteja, quer de agressões físicas, quer de agressões verbais, e que, ao fim deste tempo todo, o plano da violência sobre os profissionais de saúde não esteja bem instituído", adiantou a médica.

A sensação de impunidade é "muito grande", alertou ainda Maria João Tiago, ao exemplificar a situação em que um agressor "continua na lista do médico de família" agredido, ao mesmo tempo que "diretores de serviço desvalorizam a situação e fingem que nem existiu".

Em março, a PSP anunciou que registou 961 situações de violência em hospitais e centros de saúde em 2021, mais 16% do que em 2020.

A PSP indicou também que cerca de 65% da violência registada é praticada por utentes, 21% pelos familiares ou acompanhantes dos doentes, 13% por profissionais de saúde e 1% por visitantes ou outras pessoas.

A comarca de Lisboa registou 23 inquéritos crimes contra profissionais de saúde em 2021, um crime que o Mistério Público (MP) tinha alertado em 2020 para a tendência acentuada de aumento.

Os profissionais de saúde que notificam mais casos de violência são os enfermeiros e os médicos e a maioria das situações são de violência verbal e física.