Covid-19

Portugal pode não ter capacidade de administrar tantas vacinas que vão chegar

O coordenador da "task force" do plano de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo

Foto André Rolo / Global Imagens

No prazo máximo de um mês, Portugal pode deparar-se com um problema de "estrangulamento", por não conseguir administrar todas as vacinas que vão chegar entretanto ao país.

A preocupação foi assumida, este sábado à tarde, pelo coordenador da "task force" do plano de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo.

No dia em que começou a ser vacinado o pessoal docente e não docente das escolas, já tinham sido administradas, até às 14 horas, 63 mil inoculações. O que, para o coordenador da "task force" do plano de vacinação contra a covid-19, significa que, até ao final do dia, vai ser cumprido o objetivo de chegar perto das 100 mil vacinas diárias. "Era o grande teste que queríamos fazer", explicou o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, de passagem pelo Centro de Vacinação de Aveiro.

O teste permite, de acordo com o responsável, preparar o terreno para a vacinação em massa da população portuguesa. E é nesse campo que surgem preocupações, nomeadamente ao nível do volume de vacinas que estão a chegar ao país. "Estamos a passar de uma vacinação com pouca disponibilidade de vacinas, para uma vacinação com muita disponibilidade de vacinas. Há preocupações, nomeadamente ao nível do estrangulamento", explicou Gouveia e Melo. Para o vice-almirante, "o que pode acontecer", daqui a "entre duas a quatro semanas", "é não conseguirmos administrar as vacinas que estão a chegar a território nacional, porque estão a chegar em grande quantidade e podemos não as conseguir administrar no tempo útil em que precisamos de o fazer".

A causa para esse "estrangulamento" pode prender-se, sublinhou o responsável, com "um problema de agendamento ou com um problema de administração das vacinas". É por isso que a "task force" assume estar a testar vários modelos diferentes, quer de agendamento quer de administração, para evitar que o problema surja. Apesar disso, Gouveia e Melo mantém-se convicto de que, no final do verão, 70% da população vai estar vacinada. "A não ser que haja uma catástrofe no fornecimento de vacinas, acredito fielmente nessa previsão", garantiu, acrescentando que, até à data, já foram inoculadas, em Portugal, "mais de 2,2 milhões de pessoas".

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