Desconfinamento

Restaurantes do Porto reabrem com "otimismo e esperança" após confinamento

Marisa Silva

 foto Amin Chaar / Global Imagens

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Com otimismo e esperança depois de três meses "muito penosos" de confinamento. Foi assim que, esta segunda-feira, os restaurantes sem esplanada da Baixa do Porto voltaram a abrir portas. À mesa, não faltaram os clientes habituais. Ainda assim, não houve enchentes nem longas filas de espera para degustar uma refeição.

Na Conga, na rua do Bonjardim, as duas salas estavam "compostas" à hora do almoço. Entre os clientes estavam Maria Monteiro e o marido que viajaram de Paços de Ferreira até ao Porto para comer bifana e caldo verde. "Já tinha muitas saudades. Foi bom poder regressar. Não comíamos fora há muito tempo", contou Maria Monteiro, de 73 anos, que conhece o proprietário do restaurante "desde pequenino". O negócio "está a ir devagarinho".

"As pessoas ainda estão a ganhar confiança no desconfinamento, mas estou otimista em relação ao futuro", disse Sérgio Oliveira, proprietário da Conga.

Em frente, no Pedro dos Frangos, também não faltaram os clientes habituais. À porta do restaurante, a única fila formada destinava-se ao serviço de take-away que, no seio da pandemia, ganhou um novo espaço. É "uma pequena parte que ajuda" ao negócio, mas "não paga contas". Até porque os "custos fixos são elevadíssimos" e "as ajudas do Estado não são suficientes para conseguir aguentar o barco". A esperança está na reabertura.

"Estamos a começar de novo. A partir de agora, é que vamos perceber qual foi o impacto deste confinamento nos nossos clientes. Será que vão continuar a preferir take-away ou vêm comer nas salas?", referiu Nuno Valente, gerente do Pedro dos Frangos, lamentando que o plano de desconfinamento do Governo tenha permitido primeiro a abertura das esplanadas.

"Não achei que fosse uma ideia brilhante abrir as esplanadas primeiro e depois as salas. Acho que não fez sentido. Dentro do nosso setor, que tem sido um dos mais afetados pela pandemia, privilegiar aqueles que têm condições para esplanadas foi um erro. Ou se abria tudo ou não se abria nada. Até pela aglomeração de pessoas nas esplanadas porque nas salas não se podia servir", criticou.

A escassos metros, Maria Luísa Teles Pinheiro também abriu as portas do "Antunes" pela primeira vez depois de três meses fechadas. "Foi muito difícil para mim [o confinamento]. Os clientes estavam sempre a ligar e eu tinha de lhes dizer que não estávamos a trabalhar. Não servimos take-away porque trabalhamos com comida tradicional e não dá para levar", explicou Maria Luísa Teles Pinheiro, sem esconder o sorriso com a chegada dos clientes.

Rolando Nascimento foi o primeiro. O relógio ainda não marcava o meio-dia quando se sentou à mesa do "Antunes" para saborear o bacalhau da casa. "Tinha saudades da comida, dos funcionários que me atendem sempre bem e do ambiente sossegado", contou o homem, residente em Matosinhos.

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