Campanha

Rio diz que Costa "quer uma grande votação no Chega"

Delfim Machado

Rui Rio, presidente do PSD

Foto Ptrícia De Melo Moreira / Afp

Novo pingue-pongue na campanha para as eleições legislativas do próximo domingo.

Depois de António Costa ter chamado a si o epíteto de "inimigo número um" do Chega, Rui Rio responde que o secretário-geral do PS "é um dos interessados em que o Chega tenha uma grande votação". Isto porque cada voto no Chega é menos um para o PSD e "mais facilmente o doutor António Costa continua como primeiro-ministro", explicou.

À margem de uma reunião com as Comunidades Intermunicipais de Leiria e Coimbra, em Leiria, esta quarta-feira de tarde o presidente do PSD acusou António Costa fazer afirmações "com um toque de hipocrisia" quando se afirma inimigo do Chega.

"O doutor António Costa é um dos interessados em que o Chega tenha uma grande votação, isto é absolutamente evidente. Porque eu, para ser primeiro-ministro, para o PSD para ganhar, precisa que se vote no PSD. O doutor António Costa precisa do contrário, que não se vote no PSD, portanto quanto mais votos forem para o Chega, mais facilmente o doutor António Costa fica como primeiro-ministro", acusou. Para Rio, o PS "não é inimigo do Chega" e quando António Costa o diz "não é linear".

Rui Rio voltou a dizer que não aceita membros do Chega num eventual Governo do PSD e garantiu que não vai negociar com o partido de André Ventura: "Não vou, já o disse mil vezes. Nos Açores, o PSD regional resolveu aceitar os pontos que eram inócuos e com isso conseguiu os dois votos na Assembleia Regional e eu na altura disse que estava de acordo, mas não tive qualquer intervenção nisto".

Na ótica de Rio, quando e se a questão de precisar dos votos do Chega se colocar, o ónus vai estar do lado de André Ventura, que terá de decidir se apoia Rui Rio ou António Costa. Ou seja, para Rio, o PSD precisa tanto dos votos do Chega para aprovar um orçamento como o PS precisa desses votos para o chumbar: "Portanto se os deputados que o Chega eleger resolverem votar de uma dada maneira isto é uma coisa terrível. Se for da outra que beneficia o PS já não é uma coisa terrível".

Relacionadas