PSD

Rui Rio admite Chicão para ministro da Defesa

Delfim Machado

Rui Rio admite união com CDS e IL se ganhar as eleições

Foto Tiago Petinga/lusa

Se Rui Rio for eleito primeiro-ministro, Francisco Rodrigues dos Santos pode ser ministro da Defesa. Esta quinta-feira de manhã, o presidente do PSD não descartou a hipótese de dar ao líder do CDS aquela pasta, à semelhança do que fez Pedro Passos Coelho, que a atribuiu a Paulo Portas. "Não seria a primeira vez", lembrou Rio.

À margem de uma arruada pelo Centro Histórico de Bragança com cerca de 200 apoiantes, o presidente do PSD foi questionado sobre a disponibilidade já manifestada por Francisco Rodrigues dos Santos para ser ministro da Defesa. "É uma questão de se ver, não seria a primeira vez que o CDS tinha o Ministério da Defesa, como sabemos".

Perante a insistência dos jornalistas sobre se afastava essa hipótese, Rui Rio foi mais concreto: "Obviamente que não afasto. Já disse claramente que quer para o PS quer para o PSD é muito difícil conseguir atingir a maioria absoluta, já disse que preferencialmente começaria a negociar com o CDS".

Da mesma forma, Rio também não descarta a possibilidade de formar Governo com a Iniciativa Liberal (IL): "Se assim tiver que ser, faz parte de uma negociação e aí está muita coisa em cima da mesa e muitas modalidades de negociação". Depois, citou João Cotrim de Figueiredo, presidente da IL, que num debate referiu "que as negociações sabem-se como começam, mas não se sabe como acabam".

Esta manhã, no debate entre todos os líderes dos partidos com assento Parlamentar (ao qual faltaram André Ventura e Rui Rio), Francisco Rodrigues dos Santos voltou a manifestar a disponibilidade para ser ministro da Defesa, uma vez que este tema "é muito caro ao CDS" pois cabe à Direita apoiar as forças militares e de segurança.

No mesmo debate, António Costa afastou a hipótese de uma revisão constitucional, que para acontecer teria de unir PS e PSD, pois é necessária uma maioria de dois terços do Parlamento para a aprovar. O presidente do PSD não gostou de ouvir o secretário-geral do PS e acusou-o de ter pouca ambição reformista: "Nós vivemos sem alterar a Constituição e sem alterar o sistema eleitoral. Estamos com a mediana dos salários nos 900 euros, também vivemos com 550 ou 700 euros, se é essa a ambição".

Se o PS vencer com minoria e precisar de negociar com o PSD, a revisão constitucional será um dos temas que os sociais-democratas vão pôr em cima da mesa: ­ "Acho que o país precisa de reformas nos mais diversos setores. Se é uma exigência? Depende do que quer dizer a palavra exigência. Se há uma grande vontade? Seguramente", admitiu Rui Rio.

Depois de pedir "um PS com uma atitude mais reformista", Rio sublinhou que apenas pode fazer campanha e explicar a necessidade de uma revisão constitucional para que "dentro do PS haja quem queira, provoque alguma turbulência e acabemos por ter um PS com uma atitude mais reformista". Caso contrário, para Rui Rio, o país vai continuar a discutir "um por cento de IRS ou IRC, que é importante mas vale o que vale".

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