Debate das rádios

Rui Tavares diz que "saiu o tiro pela culatra" a Costa

Adriana Castro

Rui Tavares esteve, esta quinta-feira, em campanha no Porto

Foto José Coelho / Lusa

Depois de António Costa ter afirmado, esta quinta-feira, no debate das rádios, que o Livre colocava a energia nuclear como solução para a transição energética e que essa é "uma linha vermelha inultrapassável" para o PS, Rui Tavares diz que o secretário-geral do PS "inventou" e que "o tiro saiu pela culatra".

"No caso desse ataque desferido por António Costa, com a arte política que todos lhe reconhecemos, não lhe correu muito bem porque inventou, do nada, uma linha vermelha que, na verdade, não existe", afirmou o fundador e candidato do Livre, Rui Tavares, esta quinta-feira, à margem de uma reunião com várias associações de estudantes da área da Saúde, no Porto.

"Somos contra a instalação de centrais nucleares em Portugal. São caras, são perigosas, não fazem nenhum sentido no 'mix' energético que devemos ter, e o que dizemos é que é preciso investigar outro tipo de energia nuclear, que é a de fusão, e acompanhar a ciência que se faz nesse domínio", reforçou Tavares, dando nota de que "Portugal faz parte dos projetos europeus de investigação nessa área".

Por isso, observou, "o tiro saiu pela culatra". "Mas o ataque não tinha a ver com o conteúdo, mas com o momento político em que estamos e com o facto de se ver que, de facto, há uma escolha muito clara: ou vamos para as maiorias absolutas e para os blocos centrais ou, como dizemos desde o início, 'o voto no Livre livra-nos do dilema entre o bloco central e a maioria absoluta'. E há outras soluções", acrescentou.

Perante a acusação de António Costa, Rui Tavares admitiu que "não só não ficou surpreendido como ficou agradado". "Demonstra que a solução da 'ecogeringonça' está a fazer o seu caminho eleitoral", justificou, e que "António Costa tem medo que essa alternativa, que é viável, seduza o eleitorado e o afaste da maioria absoluta". "E tem razão em ter medo", asseverou.

Livre pedirá "debate sério" sobre as energias

"As centrais nucleares não são uma política que defendemos para Portugal. Aliás, o que é preciso é questionar o Governo português acerca da maneira com que, talvez com excessiva flexibilidade, deixou que a Comissão Europeia pusesse a energia nuclear e o gás natural na taxonomia das energias sustentáveis, com muita pressão de Estados-membros como a França, que produzem energia nuclear e que, portanto, tinham interesse em que mais subsídios europeus fossem canalizados para isso e que as regras do défice fossem desenhadas para poupar os investimentos à energia nuclear", expôs o candidato do Livre.

Rui Tavares afirmou ainda que "Portugal tem interesse nacional em que na taxonomia europeia de energias renováveis estejam as energias que nós produzimos: solar, eólica e por aí fora" e garantiu que, "a partir de dia 30 de janeiro, vai haver uma voz muito exigente na Assembleia da República e na maioria de esquerda por políticas europeias que sejam consequentes, ao contrário da primeira geringonça, que deixou a Europa de fora porque não havia do que falar, tais os pontos de desacordo".

"O Livre é um partido europeísta exigente e pedirá que se faça um debate sério para que a posição de Portugal no Conselho Europeu seja contra o branqueamento da energia nuclear nesta taxonomia da Comissão Europeia. E aí vamos ver quem é ou não consequente", concluiu.

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