Iniciativa

Só 12 pessoas no protesto contra preços dos combustíveis

Diana Cardoso

Pequeno grupo desceu a Avenida escoltado pela Polícia

Foto Direitos Reservados

"Juntem-se a nós em vez de tirarem fotografias". Cláudio Fonseca, organizador do protesto, admitiu que a adesão à manifestação contra o peso dos impostos nos combustíveis, este sábado, em Lisboa, ficou muito aquém do esperado. Juntaram-se 12 manifestantes que desceram a Avenida da Liberdade.

A manifestação estava marcada para as 15 horas, mas iniciou-se só uma hora mais tarde. Cláudio Fonseca, dirigente do podcast "Conversa" e organizador do protesto, esperava que ainda chegassem mais manifestantes.

O organizador não escondeu que as expectativas para o protesto ficaram aquém do esperado. Questionado acerca da promoção do evento nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, disse que contava com 1700 pessoas. Na sua opinião, "houve muitas pessoas a protestarem online, mas parece ser traço dos portugueses acobardarem-se".

Sendo uma iniciativa promovida pela "sociedade civil, que não é um movimento organizado, não é uma associação obscura", não se compreende a fraca adesão das pessoas e a falta de divulgação pela comunicação social, disse Cláudio Fonseca. O único partido político presente foi o partido Reagir, Incluir, Reciclar (RIR) dirigido por Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans. O que mereceu uma crítica por parte do organizador aos restantes partidos políticos.

Márcia Henriques, vice-presidente do partido RIR, afirmou que "os políticos esquecem-se que Portugal não é só Lisboa e Porto e no resto do país as pessoas não têm a alternativa de transportes públicos e o aumento do preço dos combustíveis vai tirar uma grande fatia do orçamento familiar às pessoas".

Entre os manifestantes encontrava-se um estudante de 18 anos que revelou que a questão dos combustíveis é uma das principais razões que ainda não o levou a tirar a carta de condução. "Não tenho mínimo interesse em começar a tirar a carta devido também aos impostos de circulação, mas também devido aos preços dos combustíveis", disse.

José Antunes, de 34 anos, trabalhador numa empresa de software de faturação, disse que "houve uma promessa do governo de que o imposto sobre os combustíveis ia ser reduzido quando o preço do petróleo também subisse. No entanto, os impostos não estão a ser revistos. É uma pura hipocrisia ecológica".

O organizador da manifestação reforçou que o preço dos combustíveis "dói na carteira a todos os portugueses". "Estamos num sítio onde costuma estar cheio quando ganha o Benfica. Deviam estar aqui muitas mais pessoas, porque os elevados impostos dos combustíveis não são apenas algo que encarece a vida de quem usa o seu próprio transporte, quer seja carro ou mota, mas encarece a vida daqueles que simplesmente vivem. O combustível é necessário para todos".

Estado "guloso"

Segundo Cláudio Fonseca, o principal objetivo é "que a sociedade civil pressione os governantes" mesmo que essa pressão já tenha levado o Governo a decidir a "baixa de um e dois cêntimos no preço da gasolina e gasóleo", mas tal "não é suficiente".

"O Estado não precisa de ser tão guloso. O que está em causa é tirar dinheiro aos portugueses que podia ser alocado na economia", defende.

Relativamente à continuação da luta pela causa, Cláudio Fonseca referiu que "outras iniciativas estão marcadas" pela sociedade civil. "Isto é apenas uma chamada de atenção para a realidade dura para as pessoas que estão adormecidas em relação a isto".

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