Aveiro

"Temos orgulho de ser o inimigo principal do Chega", diz Costa

João Vasconcelos e Sousa

António Costa, líder do PS

Foto Miguel A. Lopes/lusa

O líder do PS acusou o presidente do PSD de se ter tornado "dependente" do Chega. Esta terça-feira, em Aveiro, António Costa apontou a mira a Rui Rio por "traduzir com palavras meigas" as ideias do líder da extrema-direita.

"Temos orgulho de sermos o inimigo principal do Chega", afirmou Costa, recebendo uma ovação dos militantes e simpatizantes que lotaram o comício do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro.

Embora tenha tenha mencionado diretamente o Chega, o alvo do secretário-geral socialista era o líder do PSD. "A nós nunca nos verão a traduzir com palavras meigas as palavras de André Ventura", afirmou. "Nunca nos verão querer dizer que a prisão perpétua não é prisão perpétua. Nunca nos verão a ficarmos dependentes do voto do Chega".

A tentativa de colagem de Rio a Ventura, que tem sido recorrente nos discursos de Costa durante esta campanha, chegou já no final do discurso. "A nossa fronteira não é não ter ministros do Chega no Conselho de Ministros. É não querermos depender de nenhum voto do Chega para coisa nenhuma", insistiu, naquele que foi um dos momentos mais aplaudidos da sua intervenção.

Já na segunda-feira, o líder do PS tinha argumentado que Rio está condenado a colocar-se nas mãos do Chega caso venha a formar Governo, referindo-se ao líder do PSD como "refém" de Ventura. Costa recordou nessa ocasião que o Governo Regional dos Açores, embora social-democrata, rubricou um acordo com a referida força política.

O comício ficou também marcado pela intervenção de Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e cabeça-de-lista do PS por Aveiro. O governante criticou a "visão profundamente individualista" da sociedade partilhada por PSD, CDS e IL, argumentando que a liberdade não pode ser um "valor abstrato" e que está intimamente ligada ao Estado Social, "a maior construção coletiva" que o país já empreendeu.