Legislativas

Ventura quer 15% e promete "arrasar" no novo Parlamento

Delfim Machado

André Ventura, líder do Chega

Foto Nuno AndrÉ Ferreira/lusa

André Ventura quer chegar aos 15% nas eleições legislativas de 30 de janeiro. A meta foi definida no primeiro discurso do IV Congresso do Chega que começou esta sexta-feira e termina domingo em Viseu. A reunião magna do partido promete ser de discussão interna, mas as mensagens mais duras foram para fora.

Para o líder do Chega, o resultado de 15% nas eleições legislativas "será uma grande vitória". No dia em que vários deputados se despediram da atual legislatura, Ventura prometeu que a próxima vai ser diferente e com mais deputados do Chega: "Não lhes vamos baixar as expectativas. Quando lá entrarmos depois do dia 30 não vai ser nem para paninhos quentes, nem para fazer amigos, é para arrasar com este sistema".

Aclamado por mais de 500 congressistas, Ventura lembrou as vezes em que não pôde discutir temas como o enriquecimento ilícito, a castração química de pedófilos, o agravamento das penas por crimes de corrupção ou a redução do número de deputados. Prometeu levar estes temas à Assembleia da República na próxima Legislatura e fez duras críticas a Ferro Rodrigues, que ontem se despediu sob aclamação parlamentar: "É impossível bater palmas a Ferro Rodrigues. Já há muito tempo que devia ter saído. Menosprezava a Assembleia da República e tirava dignidade a Portugal".

Nos primeiros minutos do congresso do Chega ficou logo evidente a intenção de conquistar votos à Direita nas próximas eleições. Para Ventura, Francisco Rodrigues dos Santos "está barricado no Largo do Caldas porque tem medo de eleições internas", se Paulo Rangel for eleito "será o líder mais frouxo que o PSD alguma vez teve" e Rui Rio "quer ser vice-primeiro ministro de António Costa".

Lutas internas sem fim

Mas Ventura também falou para dentro, até porque há 80 congressistas de listas de "oposição" interna. Ontem ainda não se tinham feito ouvir, mas receberam do presidente do partido um apelo à união e ao fim das guerras internas: "De que vale ser o terceiro partido preferido dos portugueses se depois olham para dentro de nossa casa e veem lutas que não acabam, intermináveis, inquebráveis? Muitas vezes há conflitos que roçam a insanidade".

Na agenda do segundo dia, os militantes do Chega votam as moções estatutárias. Entre elas, a que reforça os poderes de Ventura.