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Mais uma deserção na bancada do CDS em rota de colisão com o líder

Mais uma deserção na bancada do CDS em rota de colisão com o líder

Ana Rita Bessa vai sair do Parlamento, na quinta-feira, ao fim de seis anos. A deputada sai em rota de colisão com o líder do CDS-PP. Trata-se da segunda renuncia ao mandato na bancada centrista em meio ano e acontece numa altura em que aperta o cerco dos críticos de Francisco Rodrigues dos Santos.

Em março, foi João Gonçalves Pereira a renunciar ao mandato de deputado. O deputado mais crítico da atual liderança foi substituído por Pedro Morais Soares. A sua substituição ocorreu depois de Francisco Rodrigues dos Santos ter sofrido 14 perdas na direção do partido.

Agora é a vez de Ana Rita Bessa, também eleita pelo círculo de Lisboa, bater com a porta, com críticas ao presidente do partido. "O relacionamento com o grupo parlamentar é, no mínimo, fortuito. Não há trabalho consistente. Não há reuniões, o ambiente é desconexo", justificou, ao Expresso, escusando-se, durante esta terça-feira, a prestar mais declarações.

Ana Rita Bessa confirmou apenas que fará a sua última intervenção no Parlamento na quinta-feira. Deveria ter sido substituída por Isabel Galriça Neto. Mas a cabeça de lista à Assembleia Municipal de Lisboa, pela candidatura de Carlos Moedas, já disse que não aceita regressar ao Parlamento. "Por razões pessoais e porque assumiu o desafio com Carlos Moedas na Câmara de Lisboa", justificou, ao JN. Vai ser substituída por Sebastião Bugalho.

As decisões de Ana Rita Bessa e de Isabel Galriça Neto já foram comunicadas aos líder do partido, com quem a deputada diz não ter conseguido reunir, e da bancada parlamentar. Telmo Correia já elogiou o trabalho de Ana Rita Bessa "em áreas como a educação, a cultura e também na saúde em plena pandemia muito contribuíram para o sucesso do grupo parlamentar".

"A sua saída significa também que no grupo parlamentar do CDS estão pessoas com vida profissional e que não estão 'agarradas' ao lugar, como temos visto", disse ainda o líder parlamentar dos centristas.

A saída de Ana Rita Bessa acontece numa altura em que aumenta o cerco dos críticos internos a Francisco Rodrigues dos Santos, depois de o líder do partido ter afirmado, na reta final da campanha eleitoral, "que se lixe o congresso do CDS" e na sequência do resultado do partido nas autárquicas.

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O líder dos centristas cantou vitória na noite eleitoral por o CDS-PP ter mantido as suas seis autarquias e pela conquista da Câmara de Lisboa. Mas para o seu adversário interno mais direto, Adolfo Mesquita Nunes, o resultado na capital deve-se apenas a Carlos Moedas.

"O que é preciso é olhar para o que acontece ao CDS quando não está coligado com o PSD", afirmou, na noite de segunda-feira à SIC Noticias, especificando que nas capitais de distrito e nas autarquias "mais urbanas", o partido ficou "atrás do Chega". "O CDS quando vai sozinho está no fim da tabela dos partidos", vincou.

Outro crítico, Nuno Melo, promete pronunciar-se sobre os resultados eleitorais do CDS-PP nos próximos dias.

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