Covid-19

Animais de companhia também sofrem com quarentena. Como evitar problemas?

Animais de companhia também sofrem com quarentena. Como evitar problemas?

Não são só os humanos a sofrer com o confinamento a um espaço fechado, durante estes dias de isolamento social e quarentena, devido à propagação da Covid-19. Cães e gatos podem sofrer alterações de comportamento e é necessário atuar. Saiba o que fazer.

Funky, uma cadela com dois anos e poucos meses, é a menina dos olhos de Gonçalo e de Carlota. "Tem estado muito mais ativa no geral", é assim que o casal, que a adotou quando ainda era um bebé, descreve as últimas semanas do animal. "Chama mais à atenção de forma direta, ou com brincadeiras para olharmos para ela", conta o dono ao JN. Apesar de ser passeada pelo menos duas vezes por dia, durante mais tempo, a vontade de sair de casa manifesta-se com mais frequência. "Acho que sentiu que não queríamos ir à rua e ficou mais ansiosa por essa razão". Agora junto de Carlota, a cadela acompanha a família da dona na sua quinta, durante a quarentena.

Ao contrário de Funky, os passeios de Marley diminuíram, bem como o seu apetite, mas "está muito mais mimalho", conta a tutora do cão de três anos. "Antes ia cinco vezes à rua, e uma hora e meia de caminhada passou a 10 minutos depois do jantar". Marta diz que as suas duas vizinhas, ambas com animais, encontravam-se todos os dias, o que já não acontece devido às medidas de prevenção. "Os cães delas pararam de comer, porque já não se viam".

"Dentro de casa, uma das primeiras regras que temos de aplicar é manter ao máximo a rotina habitual, sobretudo se se tratam de animais idosos que se podem perder e desorientar com qualquer mudança", explica Gonçalo da Graça Pereira. O especialista em comportamento animal alerta para a importância de os cães manterem a sua independência, proporcionando-lhes momentos sozinhos durante o dia-a-dia, o que "não significa pô-los à parte de nós", mas assegurar uma divisão da casa onde tenham brinquedos e atividades estimulantes.

"É muito importante manter essa independência, evitando problemas futuros" como o síndrome de abandono, isto é, "quando a vida voltar ao normal e os donos regressarem ao trabalho, passando novamente mais tempo fora de casa".

Para contornar o problema, Gonçalo sugere a fomentação de "todo o tipo de jogos e interações", sobretudo os de exploração, que impliquem o uso do olfato. Servem de exemplo as caixas de ovos, dentro das quais podem ser colocados pedaços de maçã, "entre outras guloseimas". "Fará com que o cão destrua a caixa para ter acesso ao que está no interior".

Durante os passeios, o especialista defende que estes não devem ser destinados apenas às necessidades fisiológicas do animal, considerando a possibilidade do cão "se conter" para que a caminhada seja prolongada.

Os gatos não são uma exceção no que diz respeito a alterações comportamentais durante o período de isolamento social. Contudo, as opiniões de quem tem felinos em casa não são unânimes. Com um ano, as irmãs Jelly e Belly já estão acostumadas à companhia uma da outra. Após sete dias em casa com Lizandra e João, têm vindo a demonstrar-se mais tranquilas e ternurentas. "Andam sempre atrás de nós a ronronar, e até começaram a dormir connosco na nossa cama", contam os donos, que antes saiam de casa pelas 10 horas e apenas regressavam à meia-noite.

Já a gata de Pedro, Bibi, está constantemente a perseguir a cauda. "Começou a acontecer há umas semanas" diz. "Já me informei e pode ter absorvido a minha ansiedade nesta altura".

"Varia muito de gato para gato", explica a médica veterinária, Sofia Galiza. "Regra geral, são seres muito independentes e não ligam tanto à presença do dono". Claro está que, "sendo seres tão especiais", sofrem com qualquer mudança na rotina, inclusive desenvolvem infeções urinárias com muita facilidade. "Já tive casos de gatos com infeções só porque a caixa de areia mudou de sítio", lembra. O facto de o dono estar sempre em casa pode ser encarado como "uma novidade", provocando ansiedade no animal. A especialista aconselha a deixá-lo num local sossegado, onde se sinta confortável, principalmente se estiver a dormir. Os difusores da marca Feliway também podem ser uma alternativa para acalmar alguns gatos, embora "nem sempre resulte".

Na página do Facebook de Gonçalo da Graça Pereira, destinada ao conhecimento dos "patudos", os proprietários de animais de companhia encontram um espaço onde podem expor as suas dúvidas e adquirir mais informações sobre o assunto.

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