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Ânimos exaltados no congresso do Chega por causa de moção de Vila do Conde

Ânimos exaltados no congresso do Chega por causa de moção de Vila do Conde

Uma moção de recomendação de última hora apresentada pelo núcleo concelhio de Vila do Conde fez exaltar os ânimos no IV Congresso do Chega, este sábado de manhã. Houve acusações de falta de democracia e muitas vaias, mas a proposta que previa a nomeação de delegados a congressos, em vez da eleição, acabou rejeitada.

A moção de recomendação foi apresentada por Luís Vilela, que foi o candidato do Chega à Câmara de Vila do Conde e é líder da concelhia vilacondense. O documento de última hora previa que os delegados aos próximos congressos do Chega fossem nomeados pelas estruturas locais, em vez de eleitos pelos militantes, para evitar "que pessoas que saíram do partido estejam aqui a minar as decisões", justificou Luís Vilela. Inicialmente foi aplaudido, mas logo os congressistas se insurgiram contra a moção.

"Esta moção é uma forma de sonegar a democracia interna do partido. É dentro que termos de modificar as regras democráticas para irmos lá para fora e mostrarmos que somos exemplo", disse Jerónimo Fernandes, presidente do núcleo concelhio do Porto.

João Leitão, militante da Maia, também se mostrou contra, avisando que o partido "só cresce e só tem força se todos os militantes puderem participar". O congressista da Maia considerou ainda que "é uma vergonha a apresentação, sequer, desta moção", e acusou Luís Vilela de nepotismo por, alegadamente, incluir familiares nas listas ao congresso. Ao JN, Luís Vilela desmentiu "categoricamente" que existam ou tenham existido familiares seus nas listas autárquicas ou ao congresso, disponibilizando-se para o comprovar "perante todos os militantes que o desejarem".

O vilacondense acabaria por subir ao palco para defesa da honra, mas pouco falou, embora tivesse três minutos disponíveis. Primeiro foi vaiado, depois ouviu-se "vergonha, vergonha" do público e, por fim, a mesa retirou-lhe a palavra quando ainda ia no segundo minuto. Luís Vilela não se calou e ficou a falar sem o microfone ligado, até acabar por sair.

Por sua vez, João Paulo Sousa, que foi candidato do Chega à Câmara de Silves, disse não admitir "que haja delito de opinião". Foi apupado, mas continuou: "Não posso admitir que no meu partido - que também é meu porque o ajudei a fundar - se possa impedir que militantes concorram aos órgãos".

A entrada da recomendação na agenda acabou por ser admitida, mas o documento viria a ser rejeitado pela maioria dos militantes. Houve 297 votos contra, 97 abstenções, 46 a favor e muitas palmas a favor da manutenção da democracia interna. No momento da rejeição, vários militantes gritaram "democracia", "contra o amiguismo" e "contra a máfia".

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