Covid-19

Ansiedade, separação e emoções. DGS faz manual para lidar com o isolamento em família

Ansiedade, separação e emoções. DGS faz manual para lidar com o isolamento em família

Os tempos de isolamento são desafiantes em todas as casas e famílias. Se no início do isolamento parecia tudo fácil, o cansaço acumulou e já todos querem voltar à "vida normal". Enquanto isso não acontece, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu um manual em como lidar com isolamento em contexto familiar.

Durante uma pandemia, a vida revelou-se desafiante para todas as faixas etárias. As crianças e adolescentes deixaram de ter aulas presenciais e as brincadeiras e atividades de lazer deixaram de poder ser feitas fora de casa. Por outro lado, alguns adultos tiveram de sair temporariamente dos seus postos de trabalho, outros foram dispensados pelas empresas e uns tiveram de ganhar novo ritmo no trabalho a partir de casa. Por essa razão, e porque o isolamento não é fácil para (quase) ninguém, a DGS elaborou um manual para as famílias durante o isolamento.

A primeira conclusão é perceber que os momentos de tensão e conflito não vão desaparecer durante a pandemia, mas durante esta época de muita incerteza é importante continuar a fortalecer os laços de família. No manual da Direção-Geral da Saúde, feito com a ajuda do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil e o Programa Nacional de Prevenção da Violência no Ciclo de Vida, existem vários pontos que ajudam os pais a lidar com a ansiedade, as emoções e as rotinas dos mais novos.

Na vida em família, dentro de quatro paredes, os adultos terão de entender que o trabalho (para quem o faça a partir de casa) não será a mesma coisa do que estar no escritório. "Têm de aceitar aceitar que não conseguirão trabalhar o número de horas que trabalhariam numa situação normal", lê-se no manual. Ainda assim, é importante manter, adaptar ou criar rotinas: as dos mais velhos e as dos mais novos.

Se à primeira vista, o documento da DGS parece um guia de ajuda às crianças, na verdade torna-se uma "luz" para os mais crescidos. Por exemplo, ajudar os mais novos a lidar com as emoções ao "encontrar maneiras positivas" de expressarem sentimentos como o medo ou a tristeza será uma ferramenta para toda a família. A Direção-Geral da Saúde avisa: "Lembre-se de cuidar de si estando atenta/o aos seus estados emocionais e às suas próprias necessidades".

Falar com as crianças sobre o "bicho papão", por esta altura a Covid-19, será importante para transmitir segurança. As conversas deverão ser adaptadas consoante a idade dos menores, quer se tratem de crianças ou adolescentes. O stresse da pandemia é normal e falar sobre o assunto, com parcimónia, poderá diminuir o medo e a ansiedade.

Nem todos os pais poderão estar com os filhos durante esta altura e a separação poderá ser colmatada com contactos diários, através de chamadas de voz ou videochamadas. Caso isso não seja possível, é crucial que os mais novos estejam acompanhados de alguém de confiança. E mesmo durante esta altura, principalmente os adolescentes, devem manter-se em contacto com os colegas e amigos. Sendo a Internet um dos principais veículos dessa comunicação, a segurança online deve ser outro tema em atenção durante esta altura.

Mesmo em tempo de isolamento, as regras e os limites não devem ser colocados de parte na educação dos mais novos. É importante que o cumprimento seja exigido com bom senso. "Pratique, ninguém nasce ensinado/a. Se errou, peça desculpa", conclui a DGS.

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