Imunidade

Anticorpos da covid-19 caem mais rapidamente nos homens do que nas mulheres

Anticorpos da covid-19 caem mais rapidamente nos homens do que nas mulheres

Os níveis de anticorpos da covid-19 baixam mais depressa nos homens do que nas mulheres, sugere um estudo francês levado a cabo nos hospitais da Universidade de Estrasburgo. A descoberta pode ter implicações no desenvolvimento da vacina.

O estudo, que ainda não foi revisto por pares, acompanhou ao longo de quase seis meses 308 profissionais daqueles hospitais diagnosticados com o novo coronavírus, a maioria deles com doença ligeira. Em dois momentos separados no tempo, foram medidos diferentes anticorpos no organismo com recurso a três testes distintos. Na primeira amostra de sangue, eram os homens com mais de 50 anos e aqueles com um índice de massa corporal (IMC) superior a 25 a apresentar os níveis mais altos de anticorpos. Já na segunda, os investigadores concluíram que os níveis de anticorpos caíram ainda mais nos homens do que nas mulheres, independentemente da idade e do IMC.

Os resultados do estudo mostram que "alguns testes serológicos são menos confiáveis com o passar do tempo e sugerem que a duração da proteção após a infecção ou vacinação contra o SARS-CoV-2 será diferente em mulheres e homens".

Enquanto, "outros estudos mostraram que os homens têm uma resposta mais alta de anticorpos do que as mulheres na fase aguda, nós estamos a demonstrar que, embora os homens tenham uma resposta mais alta no início, a quebra nos seus níveis de anticorpos é muito mais rápida com o tempo, enquanto as mulheres parecem ter níveis mais estáveis", diz ao diário "The Guardian" Samira Fafi-Kremer, chefe de virologia dos hospitais da Universidade de Estrasburgo e uma das autoras do estudo.

A perda parece estar associada à quantidade inicial de anticorpos. "Se você tiver mais anticorpos, terá um declínio mais rápido, mas não sabemos exatamente porquê", acrescenta Olivier Schwartz, outro dos autores e chefe da unidade de imunidade e virologia do Instituto Pasteur.

A descoberta vem reforçar os apelos da comunidade científica para que os investigadores que estão a desenvolver vacinas contra o novo coronavírus comparem as respostas imunitárias nos homens e nas mulheres, ao longo do tempo.

Sabra Klein, codiretora do Centro Johns Hopkins para a investigação de saúde feminina, sexo e género considera provável que o declínio dos anticorpos nos homens também ocorra mais rapidamente do que nas mulheres após a vacinação. "Se a resposta de anticorpos funcionais diminui em maior grau nos homens do que nas mulheres após a vacinação, então os homens podem precisar de outra vacina de reforço para manter a imunidade", sustenta ao "The Guardian".

A imunidade ao vírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, ainda está longe de ser compreendida pelos cientistas. Ainda este mês, um estudo liderado pelo consórcio britânico de imunologia do coronavírus, que envolveu 100 doentes, descobriu que a imunidade das células T deve durar seis meses na maioria dos adultos, após a infeção primária. Outra investigação à volta de 185 infetados (ainda não revista pelos especialistas) mostrou que oito meses após a infeção, a maioria daqueles que recuperaram ainda tem células imunológicas suficientes para prevenir a doença.

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