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Antigos chefes militares críticos da reforma do Governo reúnem com PS, PSD, PCP

Antigos chefes militares críticos da reforma do Governo reúnem com PS, PSD, PCP

Antigos chefes militares vão reunir-se com PS, PSD e PCP sobre as mexidas no topo da hierarquia militar propostas pelo Governo, disse esta quarta-feira à Lusa fonte da associação que reúne oficiais retirados dos três ramos das Forças Armadas (FA).

O GREI (Grupo de Reflexão Estratégica Independente) já tem encontros marcados com os sociais-democratas, esta quinta-feira, seguindo-se os socialistas (27 de abril) e os comunistas (04 de maio). Estão também pedidas reuniões com os outros partidos com assento na comissão parlamentar de Defesa Nacional: BE e CDS-PP.

Estes militares reformados ou na reserva têm criticado a "concentração de poderes no Chefe do Estado-Maior General das FA (CEMGFA) e desaparecimento da maior parte dos graus intermédios de comando e de direção", sublinhando que será uma "fonte de permanente atrito entre os patamares Ministro da Defesa Nacional (MDN), CEMGFA e Conceito Estratégico Militar (CEM)".

O MDN, Gomes Cravinho, mostrou-se confiante em conseguir "consenso alargado" no parlamento sobre a reforma entretanto aprovada em Conselho de Ministros e desvalorizou qualquer "turbulência" no seio da instituição militar, atribuindo-a somente a "antigos chefes".

"Estou otimista sobre o processo. Quanto a turbulência nas FA, não prevejo isso. Vejo que há alguma entre antigos chefes. Mas não vejo turbulência refletida nos atuais chefes e noutras estruturas das FA. Vejo as FA muito serenas, a encararem com toda a normalidade", disse.

O presidente do GREI é o almirante Fernando de Melo Gomes que escreveu um artigo no jornal semanário Expresso, há duas semanas, com o título "'Yes, Minister'... das Forças Armadas". Este ex-chefe de Estado-Maior da Armada (Marinha), caricaturava o relacionamento entre governante e CEMGFA.

"À falta de melhores reformas (...) nos diversos setores da governação, 'revoluciona-se' as FA, não para fazer face à escassez de efetivos (...), não na discriminatória disparidade de vencimentos (...); a 'revolução', ao invés, far-se-á copiando -- mal - o que existe nas FA de referência" na Europa Ocidental e América do Norte", defendeu.

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Uma das figuras críticas ouvidas pela Agência Lusa em meados de fevereiro, no seguimento da entrevista feita ao MDN e na qual o governante anunciou a intenção de avançar com a reforma, foi o general Pinto Ramalho, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) e presidente da Assembleia-Geral do GREI.

O ex-responsável militar também concordou que se trata de "uma desvalorização da posição dos ramos" e "centralizar no CEMGFA tudo aquilo que é a relação com a tutela política".

O GREI, cuja sigla significa conjunto de cidadãos de uma mesma nação ou país - tal como na divisa da Guarda Nacional Republicana ("Pela Lei e pela Grei") -, propõe-se, como objetivo principal elaborar "estudos de caráter estratégico, económico e social, sobre Portugal e a sociedade portuguesa, numa perspetiva do seu desenvolvimento, da sua defesa e segurança e dos valores da cidadania".

Responsáveis do PSD, como o antigo ministro Ângelo Correia ou a deputada Ana Miguel Santos, têm vindo a manifestar-se publicamente favoráveis, grosso modo, às medidas idealizadas pelo executivo socialista, algumas das quais também já foram defendidas por governos PSD/CDS-PP, designadamente quando Aguiar-Branco era o ministro com a tutela.

Por seu turno, o PCP também apresentou as suas propostas alternativas de mexidas na Lei de Defesa Nacional e na Lei Orgânica de Bases da Organização das FA (LOBOFA), defendendo mais poderes concedidos ao Presidente da República e Comandante Supremo das FA e, entre outras coisas, o direito de manifestação para os militares.

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) repudiou igualmente esta semana a reforma legislativa do Governo, sugerindo tratar-se de um caminho de "partidarização/governamentalização" da instituição militar.

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