Covid-19

Contenção em janeiro com teletrabalho obrigatório e aulas só dia 10

Delfim Machado e Mariana Albuquerque

Foto Epa/tiago Petinga

O Conselho de Ministros decidiu, esta quinta-feira, que vai atrasar o início do segundo período e tornar o teletrabalho obrigatório durante uma semana, para fazer uma contenção de contactos após o Natal e o Ano Novo.

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Por fim, o primeiro-ministro esclareceu que uma pessoa que não esteja vacinada pode entrar num restaurante, desde que tenha um teste negativo (dos que são contemplados pelo certificado digital).

"Mais do que confiança nas normas, tenho confiança no comportamento individual de cada um. Acho que todos já aprendemos o suficiente ao longo destes dois anos", disse Costa, avisando que esta "é a primeira condição para combatermos a pandemia".

"Na próxima semana, as curvas ainda não se vão começar a inverter", alerta ainda, pois o efeito das medidas demora, em regra, 15 dias a ser observado no índice de transmissão e número de novos casos.

Creches e escolas privadas também encerradas

As creches e as escolas privadas também estarão encerradas na "semana de contenção", esclareceu Costa.

O primeiro-ministro disse ainda que os portugueses têm dado um exemplo extraordinário nestes dois anos e que não há motivo nenhum para não acreditar nessa "resiliência". Cansaço? "Claro", mas Costa mantém a confiança nos cidadãos.

Os apoios aos pais nessa semana estão a ser avaliados pelo Governo.

"Todos estamos gratos ao esforço extraordinário dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde", responde Costa, questionado sobre as declarações de Marta Temido em que pedia profissionais "mais resilientes".

"Convém não esquecer que o SNS não existe só para as outras doenças, existe também para a covid. As pessoas que têm covid também são doentes. Como em todas as circunstâncias, os profissionais de saúde têm de gerir a realidade que têm pela frente", advertiu o primeiro-ministro.

Relativamente às escolas, as medidas aplicam-se a todos os graus de ensino e às atividades dos ATL. As creches também estão incluídas nesta medida.

A testagem obrigatória em grandes eventos, incluindo jogos de futebol, começa a 1 de dezembro.

A Madeira decidiu começar a vacinar crianças já em dezembro e Costa recordou que os serviços regionais de saúde podem tomar estas decisões.

Quanto à realização de testes aos trabalhadores dos lares, o chefe de Governo afirmou que o Ministério de Trabalho fará esse esforço de gestão.

Questionado em relação à campanha eleitoral que se aproxima, António Costa afirmou que serão aplicadas todas as regras de segurança, uma vez que nem sequer se trata da primeira a realizar-se em período de pandemia.

Os testes obrigatórios para entrar no país pelos aeroportos são os PCR e antigénio, "sem prejuízo de recomendar que façamos o autoteste", avisa António Costa.

E se estas medidas não resultarem? António Costa responde que temos de estar atentos à evolução da pandemia e que o Governo vai tomar "as medidas estritamente necessárias que tenham de ser aplicadas para proteção da saúde e vida em comunidade".

António Costa lembra ainda que o aumento da vacinação não significa o fim da pandemia, apelando à responsabilização individual dos portugueses. "Todos queremos ter um Natal em segurança", sublinhou, justificando assim a necessidade de recorrer a essa semana de contenção.

"Semana de contenção"

Para evitar um janeiro "trágico" como o do ano passado, o Conselho de Ministros decidiu adiar a reabertura do segundo período letivo: as aulas começam apenas a 10 de janeiro.

Nessa "semana de contenção", de 2 a 9 de janeiro, o teletrabalho passa a ser obrigatório e as discotecas estarão fechadas.

"É um ato de profunda irresponsabilidade transportar pessoas que não são testadas", sublinha António Costa. O controlo nos aeroportos vai ser reforçado com a contratação, a empresas de segurança privada, de meios humanos de fiscalização.

Nos aeroportos vai haver uma zona de retenção para quem tenha sido transportado sem teste negativo. As despesas de alojamento e alimentação impostas a quem tenha de ficar em isolamento no aeroporto vai ser custeado pelas empresas de aviação.

O teste negativo também passa a ser obrigatório para todos os voos que cheguem a Portugal, "seja qual for a origem ou nacionalidade do passageiro". Cada passageiro que seja desembarcado sem teste representará uma coima de 20 mil euros para a companhia aérea.

O teste negativo obrigatório (mesmo para vacinados) aplica-se a visitas a lares, vistas a pacientes internados em estabelecimentos de saúde, a grandes eventos sem lugares marcados ou em recintos improvisados, recintos desportivos, discotecas e bares.

O certificado digital passa a ser obrigatório em restaurantes, estabelecimentos turísticos e alojamento local, eventos com lugares marcados e ginásios.

Máscaras obrigatórias em todos os espaços fechados. "Em todos os espaços fechados devemos estar com máscara, salvo indicação em contrário da DGS", afirma o primeiro-ministro.

Governo decide colocar Portugal em situação de calamidade a partir de 1 de dezembro.

"Não estamos tão bem como queremos estar", diz Costa. "É o momento de adotar novas medidas", acrescenta.

As primeiras medidas são recomendações gerais: sempre que possível fazer autotestes, por exemplo antes de nos juntarmos à família. Costa defende ainda o teletrabalho, sempre que possível, de forma a evitar excesso de contágios.

Natal será um momento de risco, recorda António Costa. Aumento de contágios deixa país acima da linha vermelha, o que se reflete num aumento de internamentos e óbitos.

Primeiro lote de 300 mil vacinas chega a Portugal em dezembro e em janeiro mais 400 mil para se for necessário vacinar crianças.

A conclusão que devemos tirar, diz Costa, é que a vacinação vale a pena.

A primeira medida é, assim, reforçar o esforço de vacinação, através da dose de reforço em pessoas elegíveis: com mais de 65 anos e com segunda dose há mais de cinco meses; pessoas com prescrição médica para vacinação e cidadãos que estiveram infetadas e estão recuperadas.

Costa diz que o Governo adquiriu atempadamente o número de vacinas necessárias para vacinar os portugueses. Com a luz verde da EMA à vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos, Costa diz que o Governo está preparado para vacinar as cerca de 637 mil crianças dessa faixa etária.

Comparando a situação de hoje, com 3150 casos de infeção, com a situação de há um ano, há muito menos pessoas em unidades de cuidados intensivos. "Estamos francamente melhores do que há um ano", diz Costa.

O primeiro-ministro já fala ao país.

António Costa defendeu que, graças ao esforço dos cidadãos, Portugal é o país da Europa com maior taxa de vacinação. Aspeto que se reflete no menor número de óbitos e de internamentos.

António Costa está prestes a falar ao país.

Marcelo pede "juízo" com as regras sanitárias, mas lembra: "a vida continua"

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta quinta-feira que "é preciso ter juízo naquilo que são regras sanitárias, mas a vida continua".

"Estamos no tempo de passagem de pandemia a endemia. Quanto mais rápida a transição, melhor", acrescentou.

Saiba mais aqui

Face à evolução da pandemia em Portugal, o grupo de peritos defendeu, na reunião do Infarmed, a adaptação da estratégia de controlo da covid-19 assente em cinco eixos: vacinação, qualidade do ar interior, distanciamento social, utilização de máscara e testagem regular.

Recorde, aqui, as propostas ao detalhe.

Depois de, na passada sexta-feira, ter ouvido os especialistas no Infarmed e, nos últimos dias, os partidos, António Costa vai apresentar hoje as decisões do Conselho de Ministros para travar o aumento de contágios.

O briefing está marcado para as 17 horas.

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