Sociedade

APAV pede mais formação nas empresas que trabalham com público sobre assédio

APAV pede mais formação nas empresas que trabalham com público sobre assédio

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) salienta a importância de as empresas apostarem na formação e na sensibilização dos seus profissionais para as questões relacionadas com o assédio.

O apelo para uma maior consciencialização para a problemática do assédio estende-se a todas as organizações profissionais, em especial àquelas que trabalham com o público, por forma a prevenir situações como aquela que levou a CP a instaurar um processo disciplinar contra um dos seus revisores após uma "conduta inadequada" com uma passageira, na sexta-feira.

"Temos também de ter planos de contingência para quando estas situações acontecem", disse ao JN Daniel Cotrim, psicólogo daquela associação.

Sem se referir especificamente ao sucedido, até porque a instituição não comenta casos isolados numa fase prematura, Daniel refere que há uma cultura machista, enraizada e muito aceite, que objetifica as pessoas e em particular as mulheres, na sociedade portuguesa.

"A grande maioria das mulheres, por muito independentes que sejam, sentem pressão, seja através dos olhares ou dos comentários das outras mulheres e dos homens. Isto está naturalizado entre nós", afirma. Por isso, reitera que é fundamental que "se fale abertamente e se denuncie" os casos de assédio.

"O grande problema destas situações é que elas acontecem recorrentemente e as pessoas olham para o lado. É tudo natural. Por isso, é que as pessoas ouvem comentários de que se põem a jeito", acrescenta Daniel Cotrim.

O psicólogo da APAV justifica, desta forma, as residuais denúncias deste tipo de situações. "Na grande maioria das situações, o assédio verbal é momentâneo e a pessoa que o está a sentir acredita sempre que isto não vai tornar a acontecer e que está quase a sair na próxima paragem. E depois há ainda outro pensamento: afinal, quem é que vai acreditar em nós?", explica.

Por isso, Daniel Cotrim apela à participação de todos os setores da sociedade neste alerta contra o assédio sexual. "Somos responsáveis uns pelos outros. Quando somos testemunhas, temos a obrigação de nos envolver, de retirar a vítima daquela situação", defende.

Além disso, acrescenta que as vítimas precisam de ter alguma capacitação emocional para entenderem que a sua conduta ao denunciar não está errada. "Quando os comentários são negativos, a pessoa coloca-se em questão. É importante que as vítimas percebam que não estão a provocar ninguém, mas sim na plena fruição dos seus direitos, da sua liberdade individual. E que os outros que dizem coisas desapropriadas, esses sim, é que estão errados", sublinha o membro da APAV.

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