Covid-19

Apesar das críticas, Governo mantém critérios para vacinação

Apesar das críticas, Governo mantém critérios para vacinação

Peritos querem idade como prioridade. Ministério diz que já o é, mas quem tem mais de 65 só é vacinado a partir de abril.

Com a chegada da terceira vaga, e os índices de positividade e transmissibilidade em escalada, os peritos instam o Governo a refletir sobre as prioridades de vacinação contra a covid-19. Sendo o objetivo prevenir a mortalidade, a prioridade tem que ser a idade, defendem. O Ministério da Saúde reafirma que a idade é um dos fatores tidos em conta e mantém o plano como previsto.

Plano que, frisa Constantino Sakellarides, professor jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública, não toma "a idade como fator em si", mas dependente de patologias. A título exemplificativo: um profissional das forças de segurança de 20 anos e sem doença é vacinado agora enquanto um utente com 80 anos e neoplasia só será vacinado a partir de abril. Mas se esse idoso tiver uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica entra na primeira fase (ler em baixo).

"Isto tem consequências tremendas. Vamos vacinar mais idosos no final da primavera, enquanto os outros países (como Reino Unido, França, Alemanha ou EUA) vão vaciná-los no inverno", alerta o antigo diretor-geral da Saúde. Quando todas as evidências científicas comprovam que "a idade é o primeiro eixo porque determina a mortalidade". À data de ontem, 67,5% dos óbitos por covid-19 eram de pessoas com 80 ou mais anos.

Ao JN, o Ministério da Saúde fez saber que "os grupos prioritários foram definidos com base em critérios científicos e integraram variáveis de risco", estando "o fator idade já está expresso no plano, uma vez que os residentes em lares são, em regra, os mais idosos". Sendo que nos lares contam-se 200 mil utentes, num universo de mais de 2,2 milhões de portugueses com mais de 65 anos. E, deste total, 30% tem mais de 80 anos de idade.

Falta suporte científico

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Quanto à fundamentação científica, Constantino Sakellarides, tal como a Ordem dos Médicos (OM), é bastante crítico. "No nosso caso, os maiores de 65 aparecem em maio. É muito diferente dos outros países. E o documento não tem uma única referência bibliográfica que suporte esta visão alternativa", explica.

Na mesma linha, a OM, na análise preliminar enviada à tutela onde defende que se priorize a idade para prevenção da mortalidade, questiona a limitação dos dados. Isto porque as quatro patologias que entram para vacinação na primeira fase foram apuradas com base em dados de admissões em unidades de cuidados intensivos até 28 de abril.

Quanto a este grupo de vacinação, e na primeira fase, a Ordem defende, antes, uma priorização por idades, como é feito, por exemplo, no Reino Unido. Primeiro a população com mais de 75 anos, depois a de +70, seguindo-se os +65. A avaliar, sublinham, "de acordo com as vacinas disponíveis e o número necessário para vacinar para prevenir uma morte". Alertando, ainda, para a "desvalorização de indivíduos da mesma faixa etária com dois ou mais fatores de risco que não estão incluídos na primeira fase", como a obesidade ou neoplasias.

Ao JN, o pneumologista Filipe Froes, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos, é claro: "O que nós precisamos é de uma maior transparência, baseada na fundamentação que garanta a equidade no acesso à vacina e a prevenção da mortalidade".

Portugal

Na primeira fase, profissionais de saúde, forças armadas e de segurança, residentes em lares e cuidadores e pessoas com mais de 50 anos com insuficiência cardíaca, doença coronária, DPOC ou insuficiência renal. Na segunda fase, os que têm mais de 65 anos, devendo ser vacinados a partir de abril.

Reino Unido

Por ordem: idosos em lares e cuidadores; maiores de 80 e profissionais de primeira linha de Saúde e Ação Social; maiores de 75; maiores de 70 e os clinicamente vulneráveis (definido conjunto de patologias).

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