Acordo Ortográfico

Aplicação do Acordo Ortográfico, apesar de lenta, tem seguido bom caminho em Portugal

Aplicação do Acordo Ortográfico, apesar de lenta, tem seguido bom caminho em Portugal

A aplicação do Acordo Ortográfico pode estar a ser feita de forma mais lenta do que se desejaria, mas tem seguido um bom caminho em Portugal, considerou a vice-presidente da direcção do Instituto de Linguística Teórica e Computacional.

"Tendo em conta que o acordo entrou em vigor em 2009, eu penso que não há recuos, tem havido avanços, provavelmente não tão rápidos como seria desejável, mas creio que agora estamos no bom caminho", disse à Agência Lusa Margarita Correia, vice-presidente da direcção do ILTEC.

A professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse que se "têm estado a ser construídas as ferramentas necessárias à implementação do Acordo Ortográfico."

Margarita Correia referia-se, especificamente, ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e ao conversor ortográfico Lince, ambos produzidos pelo ILTEC com fundos públicos e disponibilizados gratuitamente na Internet, no Portal da Língua Portuguesa.

"Creio que a partir destas ferramentas poderão ser construídas outras que irão ajudar os utilizadores a colocar em prática a nova ortografia. Penso também que todo o processo tem estado a decorrer de forma positiva", sublinhou a professora auxiliar da Universidade de Lisboa.

 "O vocabulário ortográfico do ILTEC constitui, neste momento, a maior fonte lexicográfica digital disponível para a língua portuguesa", referiu a também investigadora.

A responsável do ILTEC comentou que houve muitas reações negativas ao Acordo Ortográfico, mas considera que existe "muita falta de informação".

"Eu penso que foi dada muita voz às pessoas que eram contra o Acordo Ortográfico e foi dada pouca voz às pessoas que efectivamente conhecem a verdadeira dimensão da sua aplicação, a verdadeira dimensão em casos concretos", acrescentou.

Para Margarita Correia, "estas reacções negativas vão acabar por se diluir".

A investigadora colocou ainda que o facto de os países lusófonos poderem reger-se por uma só documentação ortográfica comum (apenas Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo), é muito positivo.

"Penso que isso em termos de imagem internacional da língua portuguesa e como uma medida de protecção internacional da língua portuguesa pode ser positivo", sublinhou.

"O grupo Impresa (empresa dos media) já está a utilizar o acordo ortográfico, usando as ferramentas do FLIP, da Priberam. Temos conhecimento de que a RTP vai começar a utilizar oficialmente o novo acordo em Janeiro de 2011, assim como o acordo passará a vigorar em termos de ensino oficial a partir de Setembro de 2011", afirmou a pesquisadora.

A Agência Lusa já aplica o Acordo Ortográfico desde Janeiro de 2010.

Sobre a política de língua da presidência portuguesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Margarita Correia disse que "a actuação foi globalmente positiva".

Na sexta feira, realiza-se, em Luanda, a VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que avaliará a aprovação da reestruturação do Instituo Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e um plano de acção para a projecção internacional do Português.

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