Manifestação

"Mar de corrupção". Apoiantes do Chega protestaram junto à residência oficial de Costa

"Mar de corrupção". Apoiantes do Chega protestaram junto à residência oficial de Costa

"Portugal é um mar de corrupção" e "Ventura vai em frente tens aqui a tua gente", cantaram um pouco mais de uma centena de simpatizantes e militantes do Chega e outros populares, esta terça-feira ao final da tarde, em Lisboa.

Com coletes amarelos vestidos e vários cartazes em punho concentraram-se em frente à residência oficial do primeiro-ministro contra a "quinta gasolina mais cara" e os "salários mais baixos" da União Europeia, a corrupção e o aumento da carga fiscal.

Alexandre Gonçalves, 67 anos, nunca tinha ido a uma manifestação e nem sequer pertence ao partido que organizou o protesto, mas a revolta com algumas decisões do executivo de António Costa levaram-no a sair de casa. "Isto está a passar das marcas, pela primeira vez sinto que temos um Governo de bandidos. Mais do que se apertar o cinto, é preciso que nos expliquem as razões para os constantes cortes. Estou aqui contra a corrupção e carga fiscal absurda e as "negociatas" da geringonça", explicou ao JN.

Com ele levava um cartaz onde podia ver-se Armando Vara, Ricardo Salgado e outros "símbolos de corrupção" do país. "Vara ladrão o teu lugar é na prisão" ou "socialismo sempre ao lado da corrupção" eram outras das mensagens que se podiam ler nos cartazes numa manifestação em que se falou mais de corrupção do que do aumento do preço dos combustíveis, motivo pelo qual foi organizada. Carolina Flamengo, 69 anos, viu a convocação para a manifestação nas redes sociais e também decidiu vir. "É absolutamente injusto o aumento da gasolina. O primeiro-ministro deu-nos benefícios com o IVAUcher mas depois tira-nos noutro lado", criticou.

O líder do Chega, André Ventura, chegou pouco depois e num discurso de quase meia hora criticou o aumento do preço dos combustíveis e a carga fiscal sobre os impostos, os "46 anos de corrupção" e a "gestão absolutamente irracional" do Governo. "Há dinheiro para o Novo Banco, para todas as empresas e para sustentar o sistema político, para isso temos dinheiro. Para baixar o preço dos combustíveis não temos margem orçamental", gritou para os manifestantes que o aplaudiam e cantavam "vergonha, vergonha".

O primeiro-ministro anunciou hoje que o aumento extraordinário da receita de IVA decorrente da subida do preço dos combustíveis será devolvido semanalmente através de uma redução do imposto sobre os produtos petrolíferos, mas o presidente do Chega considerou que isso "não resolve absolutamente nada".

Antes de cantar o hino nacional, acompanhado por uma criança e a bandeira de Portugal, o líder do Chega deixou uma promessa.

PUB

"Estes coletes que trazemos é a expressão da nossa maior indignação. Seja que cor transportam nos vossos coletes temos de criar um grande movimento nacional para impedir que o roubo continue. Talvez António Costa não nos esteja a ouvir, mas sei que mais logo vai ouvir e vai ignorar até que esta força e estes coletes percorram e encham este país de norte a sul".

No final da manifestação, em declarações aos jornalistas, Ventura rejeitou, porém, qualquer vontade de replicar o movimento dos Coletes Amarelos que decorreu em 2018 e 2019 em França, afirmando que os coletes são apenas uma "simbologia de identificação" para distinguir o "grande movimento" que pretende criar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG