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Apoio de Costa a Marcelo gera críticas à esquerda

Apoio de Costa a Marcelo gera críticas à esquerda

António Costa deu como garantido que Marcelo Rebelo de Sousa vai ser reeleito presidente e as palavras não caíram bem a certos setores socialistas. Francisco Assis e Paulo Pedroso criticaram a atitude do primeiro-ministro; a "presidenciável" Ana Gomes já deu a entender, no Twitter, que reprova as declarações.

"Isto não é uma questão menor: decidir sobre o presidente da República não é o mesmo que decidir sobre um presidente da Junta, com todo o respeito", disse Francisco Assis, ao Expresso, esta sexta-feira. O socialista, um dos primeiros a lançar o nome de Ana Gomes na corrida às eleições presidenciais de janeiro, declarando-lhe o seu apoio, reiterou que o PS deve ter um candidato próprio.

Também Paulo Pedroso defende essa visão. Ao JN, o ex-socialista - que deixou o partido criticando a estratégia de António Costa para com os sindicatos - disse que "não é bom para o sistema democrático que se crie a ideia de que há um consenso de regime entre o Governo e o presidente da República", já que isso faz com que "qualquer candidato que apareça esteja a defrontar o sistema".

Pedroso lembrou que as diferenças ideológicas não acabaram por hoje haver uma pandemia e que é "saudável" para a democracia que existam várias sensibilidades em disputa nas urnas.

"Da escola pública ao SNS, o posicionamento histórico do professor Marcelo Rebelo de Sousa não é o dos setores mais progressistas da sociedade", considerou o antigo ministro da Segurança Social. Se o PS não apoiar um candidato "progressista e abrangente", estará a dizer que a esquerda deve "abdicar de fazer ouvir a sua voz".

"Isto não é um jogo e póquer"

Paulo Pedroso não nega que Marcelo parte com clara vantagem na corrida às presidenciais, mas diz que as eleições não devem ser reduzidas "a um jogo de póquer, em que quem tem as cartas mais fracas desiste do jogo". O ex-militante do PS vê Ana Gomes "como uma possibilidade" para representar a área do centro-esquerda nas urnas, "se ela assim o entender e se estiver disponível".

No dia em que António Costa empurrou Marcelo Rebelo de Sousa para uma recandidatura, o JN contactou Ana Gomes mas a ex-deputada europeia não quis comentar as palavras do primeiro-ministro. No entanto, mais tarde, no Twitter, partilhou uma publicação de Paulo Pedroso que classificou a atitude de Costa como "deslocada". Até agora, apesar de vários apoios, Ana Gomes tem dito sempre que não será candidata a Belém.

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