Parlamento

AR aprova votos de pesar pelas mortes de Fernando Guedes e Fernanda da Bernarda

AR aprova votos de pesar pelas mortes de Fernando Guedes e Fernanda da Bernarda

A Assembleia da República aprovou, esta sexta-feira, por unanimidade, votos de pesar pelas mortes do presidente do grupo Sogrape, Fernando Guedes, e da resistente antifascista Fernanda da Bernarda.

No voto de pesar pela morte do empresário, da autoria do CDS-PP e PSD, considera-se que Fernando Guedes, a partir da década de 70, liderou "um trabalho meritório de construção e modernização da empresa, cuja presidência viria a assumir em 1987".

"Empresário visionário que criou as bases de uma das principais multinacionais portuguesas, sediada em Vila Nova de Gaia, acompanhou sempre de perto a empresa e os seus trabalhadores, mesmo depois de entregar à terceira geração a sua gestão executiva", refere-se no mesmo voto.

O líder da Sogrape foi condecorado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2017, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Fernando Guedes, de acordo com o texto aprovado pelo parlamento, constituiu "um exemplo de empreendedorismo, crescimento económico com responsabilidade social, valorização do diálogo nas relações de trabalho e valores éticos que merecem a homenagem de colegas, amigos e trabalhadores".

Parlamento unânime no pesar pela morte da antifascista Fernanda da Bernarda

O parlamento aprovou, por unanimidade, um voto de pesar da autoria do presidente da Assembleia da República pela morte de Fernanda da Bernarda, advogada, resistente à ditadura do Estado Novo e membro da obediência maçónica mista.

Nascida em Alcobaça em 1944, Fernanda da Bernarda, segundo o voto apresentado por Ferro Rodrigues, "distinguiu-se como líder estudantil em Coimbra".

"Foi um dos rostos da crise académica de 1969, ombreando em plena igualdade com dirigentes como Alberto Martins e Celso Cruzeiro na oposição à ditadura. Essa coragem cívica valeu-lhe a suspensão de todas as atividades relacionadas com a Universidade, decretada pelo então ministro José Hermano Saraiva", refere-se no texto do presidente da Assembleia da República.

Fernanda da Bernarda foi fundadora, em 1965, de uma das primeiras repúblicas de estudantes feminina em Coimbra, a Araras. Foi uma das duas mulheres eleitas para a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra em 1968.

Antiga militante do PCP e mais tarde do MES (Movimento da Esquerda Socialista), pertenceu ainda à Loja Humanidade da Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain.

"Como advogada, Fernanda da Bernarda destacou-se na defesa dos trabalhadores e dos seus representantes, tendo sido distinguida pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Grã Cruz da Ordem da Liberdade", refere-se ainda no voto apresentado pelo presidente da Assembleia da República.

Na sessão plenária de hoje, foi igualmente aprovado por unanimidade um voto de pesar pela morte do antigo deputado do PRD (Partido Renovador Democrático) António de Sousa Pereira.

Sousa Pereira foi eleito deputado pelo círculo do Porto na IV Legislatura, desempenhou as funções de secretário da mesa no parlamento e ficou associado a iniciativas relacionadas com o Ensino Superior, Ciência e Ambiente.