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Arcebispo de Braga pede "perdão" às vítimas de abusos e diz que "Igreja falhou"

Arcebispo de Braga pede "perdão" às vítimas de abusos e diz que "Igreja falhou"

O arcebispo de Braga pediu "perdão" às vítimas de abusos sexuais do padre de Joane. Numa mensagem à comunidade, D. José Cordeiro reconheceu que "a Igreja" falhou e que o processo de tratamento das denúncias foi demorado.

"Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele". Foi assim que o arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, começou uma mensagem que dirigiu, este domingo, a propósito do caso do padre de Joane, Fernando Sousa e Silva, que foi afastado na sequência de duas queixas por abusos sexuais.

Na mensagem à comunidade, publicada na página oficial da Arquidiocese de Braga, D. José Cordeiro disse ter recebido as denúncias dos abusos sexuais com "profunda tristeza e imensa dor". "Às vítimas e a toda a comunidade paroquial, que se sente provada na fé e escandalizada, desejo manifestar o meu carinho e a minha proximidade e pedir humildemente perdão", pediu o arcebispo de Braga.

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"É preciso reconhecer que, neste caso, a Igreja falhou no seu dever de proteger os mais frágeis e vulneráveis", assumiu, de seguida, D. José Cordeiro, garantindo: "Desejo criar as condições para que todas as vítimas possam ser acolhidas, escutadas e acompanhadas". Uma das medidas tomadas, avança o arcebispo, foi pedir à Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis da Arquidiocese de Braga a criação de um Serviço de Escuta, "destinado a todos quantos desejem partilhar as suas experiências". "Este serviço estará disponível na Paróquia de Joane de forma presencial, sendo ainda possível recorrer ao mesmo por via telefónica ou por correio eletrónico", avança.

O arcebispo pede ainda "a todos os que possam ter conhecimento de situações de abuso que façam chegar o seu testemunho à Comissão (comissao.menores@arquidiocese-braga.pt ou 913 596 668)".

Quanto ao tratamento das denúncias referentes ao padre de Joane, D. José Cordeiro informa de todos os passos que foram dados, desde que, em 21 de novembro de 2019, "chegou à Comissão de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis da Arquidiocese de Braga (CPMAV) uma denúncia por parte de uma vítima, relatando ter sofrido abuso sexual por parte do referido sacerdote".

"Esta vítima mencionou a existência de outras vítimas. Dentro dos limites das suas competências, a Comissão diligenciou no sentido de identificar estas e outras possíveis vítimas, mas sem sucesso. Dois anos mais tarde, chegou à Comissão mais uma denúncia. Ambas as vítimas foram acolhidas e acompanhadas pela CPMAV", relatou ainda, referindo que criou, em janeiro de 2022, uma Comissão de Investigação Prévia

"Em maio de 2022, o atual Arcebispo de Braga enviou todos os elementos recolhidos para o Dicastério para a Doutrina da Fé", prossegue o arcebispo de Braga. confirmando que, em julho de 2022, foram impostas medidas disciplinares ao sacerdote em causa, a saber a necessidade de se abster de exercer publicamente o seu ministério sacerdotal e, de modo particular, a celebração pública dos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, devendo recolher-se num clima de oração, reflexão e penitência".

D. José Cordeiro assume, porém, que o processo foi demorado. "Reconheço que não conseguimos ser mais céleres no tratamento das denúncias e mais eficazes no acompanhamento das vítimas, o que lamento profundamente", afirma, na mensagem à comunidade.

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