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Arquivado processo sobre morada falsa do deputado João Almeida

Arquivado processo sobre morada falsa do deputado João Almeida

O deputado do CDS, João Almeida, revelou que o processo sobre alegadas moradas falsas que o envolvia foi arquivado pelo Ministério Público (MP). João Almeida considerou que as suspeitas, vindas a público em abril, causaram "prejuízo" à sua candidatura às eleições autárquicas de setembro.

"Era fácil provar que não vivo onde o MP dizia que eu vivo", afirmou o parlamentar ao JN. No entanto, disse estranhar que o processo tenha demorado quase oito meses a ser arquivado, uma vez que os documentos que entregou logo ao início "permitiam perceber" que morava em São João da Madeira e não em Carcavelos, como o MP sustentava.

"Não se pode ignorar o facto de o processo ter demorado sete meses e de, pelo meio, ter havido uma campanha eleitoral", afirmou João Almeida, que foi candidato à Câmara de São João da Madeira.

Na segunda-feira, o deputado - que está de saída do Parlamento - já tinha sublinhado esta ideia: "Não ignoro o prejuízo que tive ao fazer uma campanha sob suspeita de não viver no concelho em que me candidatei. Na minha terra, S. João da Madeira. Para além do desgaste pessoal, fica essa 'coincidência' lamentável", escreveu.

Questionado pelo JN, João Almeida não considerou que a demora do processo tenha sido propositada com o objetivo de o prejudicar. No entanto, referiu que este resultou de uma denúncia anónima e que, nestes casos, o MP deveria ter particular "prudência" em apurar "se faz sentido" abrir um processo.

O único a ser arquivado

No Facebook, o Parlamentar democrata-cristão tinha anunciado que o despacho do MP "é claríssimo, tão claro quanto os factos que apresentei desde a primeira hora". Na mesma ocasião, agradeceu à comunicação social por ter tratado o assunto "sempre com elevação", elogio que estendeu aos candidatos autárquicos em S. João da Madeira.

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"Agradeço ainda aos outros concorrentes às eleições em S. João da Madeira, especialmente ao Jorge Sequeira, candidato do PS e reeleito Presidente da Câmara, por nunca terem cedido à tentação de utilizar este processo como tema da campanha", escreveu o parlamentar, que apelou ainda a que os meios da Justiça "sejam utilizados onde fazem, verdadeiramente, falta".

O MP alegava que João Almeida teria declarado aos serviços do Parlamento que morava em S. João da Madeira quando, na verdade, habitaria em Carcavelos. O deputado esclareceu que a casa que a investigação lhe atribuía pertencia, na verdade, ao irmão.

João Almeida provou nunca ter vivido na referida habitação entre 2015 e 2018 com a família. Chegou a morar na mesma rua mas, depois de se ter divorciado, em 2015, mudou-se para S. João da Madeira, tendo os filhos ficado a viver com a mãe.

O processo das moradas falsas envolveu, ao todo, nove deputados: Duarte Pacheco, Paulo Neves, Carla Barros e Pedro Roque (PSD), Fernando Anastácio, Elza Pais e Nuno Sá (PS), e ainda João Almeida (CDS) e Sandra Cunha (BE). Esta última renunciou ao mandato na sequência deste processo.

Ao que o JN apurou, o processo de João Almeida é, para já, o único a ser arquivado. Os restantes continuam a ser investigados.

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