Investigação

Arrancam testes humanos da vacina portuguesa contra a malária

Arrancam testes humanos da vacina portuguesa contra a malária

Os testes em humanos da primeira vacina contra a malária desenvolvida em Portugal começam oficialmente esta terça-feira e as primeiras picadas de mosquito estão marcadas para o dia 6 de junho. Dentro de um ano, saberemos se é eficaz.

A vacina contra a malária está a ser desenvolvida por uma equipa de investigadores liderada por Miguel Prudêncio, do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa. O ensaio clínico terá lugar na Holanda, com a participação de 30 voluntários. Serão inoculados através de picadas de mosquito infetado com um parasita geneticamente modificado.

Miguel Prudêncio explicou que a vacina não assenta no parasita que infeta pessoas (Plasmodium falciparum), como as restantes que estão já em fase de testes em humanos, mas sim num que atinge roedores (Plasmodium berghei), mas é capaz de espoletar a resposta necessária do sistema imunitário humano. Para dar à vacina uma segunda camada de proteção, a equipa de investigadores manipulou geneticamente o parasita dos roedores, de forma a disfarçá-lo de parasita dos humanos, desencadeando também uma resposta do sistema imunitário.

O ensaio clínico será realizado através de picadas de mosquito infetado com o parasita geneticamente modificado, um método de inoculação dado como mais eficaz do que a seringa. Os voluntários atravessarão várias fases de inoculação até serem expostos ao parasita que infeta seres humanos.

Na altura, saber-se-á se a vacina é eficaz. Se menos do que duas pessoas ficaram protegidas, conclui-se que a vacina não funciona como o esperado. Se ficarem protegidas entre duas e cinco, será feita uma quinta imunização, seguida de nova exposição ao parasita, para saber da eficácia do reforço. Se mais do que cinco pessoas não contraírem malária, a vacina é dada como eficaz e poderão começar testes em maior escala, em países onde a malária é endémica.

A doença é transmitida por picadas de mosquito. Todos os anos a malária mata 429 mil pessoas, quase todas na África Subsaariana.

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